quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Um parágrafo

Tu foste uma das coisas mais reconfortantes que eu pude ver naquela noite. De tão parada que tu estavas, enquanto todos seguiam as músicas, chamou minha atenção. Polegares enfiados nos bolsos da calça enquanto olhava às vezes para o palco, às vezes para o lado; cabelos presos num rabo-de-cavalo; e vez ou outra descansava os pés apoiando-se nas laterais deles. Além do mais, tu era a única ímpar no teu grupo de amigas (o que te incomodou um tanto), que estavam todas acompanhadas dos namorados - e que reclamavam também do fato de estares tão alheia ali onde todos se divertiam tanto. Mas eu te entendo, endendo sim. Entendi até a mania de puxar um pouco o lábio inferior com o polegar e o indicador, e que tu deixaste escapar e pensou que não houvesse ninguém vendo. "A menina como uma flor", isso ia e vinha na minha cabeça. Eu estava ali vendo e aquecendo a alma nos teus modos. E também não deixei de notar quando todos levantaram as mãos e aplaudiram, tu foste a única permaneceu com os polegares no bolso. Eu não deveria estar escrevendo isso, mas estou, e te confesso que desde de aquela hora minha vontade era de ir embora dali e alcançar o caderno e lápis mais próximos para te jogar nessas linhas, apenas isso, te guardar nessas linhas.

3 comentários:

secoelho disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
secoelho disse...

O narrador dessa história é o mais fofinho e o mais sem coragem também...

Ananda disse...

e que belas linhas, viu ?