24.6.09

Versos para a bailarina ladra

Bailarina furtiva
Invadiu-me casa
na ponta dos pés

Trouxe o hálito da noite
E folhas para o tapete
Com um sorriso cerrado
Rodopiou porta adentro

Silenciosamente
Passeou por dentre a louçaria
Trilhou o carpete
No topo das ponteiras

Fouetté
Os grilos cantavam a valsa
A noite brilhava ao palco
Bailarina furtiva

Sorriu para o reflexo na tv
Saudou as poltronas
E girava a cada vez
Que sentia o silêncio
Dos porta-retratos

Madrugada
Num descuido qualquer
Não entreviu o aplauso
Do expectador insone

No alarme teu, bailarina
A sopeira foi ao chão
Destruiu o silêncio e a porcelana
E o espetáculo foi ao fim

Fugiu perdida, trôpega
Deixando-me na questão
Se era sonho ou divina realidade
Imagine, uma ladra dançante

Os cacos no chão
Meu coração na mão
Pedem que ela volte