É inocência que se mostra em um homem que achar saber sobre as mulheres, ou pior; controlar esse conhecimento. Mas já que ele caiu nessa besteira, é interessante acompanhar o que inevitavelmente vai acontecer, da mesma forma que se acompanha uma novela (que aliás, trata tanto disso).
A categoria do que vai acontecer, naturalmente, depende da categoria da mulher envolvida na história. Não vou me reter citando e comentando cada tipo e categoria; indo direto ao ponto, o tipo mais "produtivo", mais passional (por quê não?), mais instigante, é a mulher - escolhendo bem o adjetivo - retaliadora . Nos mesmos quinhentos, a mulher vingativa.
Só em dizer a "a mulher vingativa" vem à mente uma moça voluptuosa com uma arma na mão, a qual se vê no rosto que não hesitaria em puxar o gatilho. Aliás, ela procura o menor motivo para isso. A diabólica, como eu também gosto de chamar (pois também imagino-a às vezes com cauda de seta e chifrinhos, ateando fogo em tudo o que vê), tira o sono do coitado do nosso amigo, deixa-o à beira da loucura com pequenas armadilhas que se enquadram bem no conceito de "tortura", persegue-o sem precisar sair do lugar ... enfim, um espetáculo que lotaria a casa, e eu pagaria para assistir da primeira fileira. Assistir acontecer com os outros, é claro.
Ainda tem aquelas que arquitetam planos infalíveis de vingança; estas poderiam ser roteiristas de filmes de suspense. A imagem dessas já seria a bela de terno, do alto de seus saltos, e óculos harmoniosamente repousados em seu nariz. Segura ainda uma maleta (quem sabe não é lá que os planos estão guardados?). Causam destruições imensas com duas palavras. As melhores, com apenas uma. Palavras escolhidas cuidadosamente que encaixa como peças de quebra-cabeça na cabeça (quebrada) e no coração do sujeito. Não há quem diga que elas são capazes das mesmas proezas que as diabólicas que incendeiam o circo, já citadas. Essas são sutis, resumindo. Mas realizam espetáculos tão bons quanto.
O homem enrascado nessa teia nunca pôde imaginar que havia tanto mais a se aprender com essas figuras angelicais. Figuras. Se se olhar o lado positivo, existe a esperança de já ter aprendido e não cometer o mesmo erro. Não mesmo.
O final do espetáculo, a novela, ou do filme de suspense se dá quando ela bem entender. A personagem manda na história. Para o bem de quem o assiste, ou o mal do pobre-coitado que se viu vilão do enredo escrito por tão adorável criatura. É, no fim das contas uma criadora/criatura adorável, a qual ele está sempre disposto a cair na trama tecida por ela.(*)
*Final número 1.
terça-feira, 6 de novembro de 2007
Encomenda para a senhorita Denise
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