17.7.08

Minha querida Satellite

Ao voares céu afora, me escute na chuva do amanhecer: quando eu a tiver perto de mim, cantarei uma canção sobre uma menina que corre num campo, entre trevos e florezinhas amarelas. E tu serás uma dessas flores, minha querida Satellite.
Destilarei, a cada três vezes que o sol sumir no teu horizonte, cinco gotas de meu sentimento, e esperarei que evapore e alcance teus poros. Assim não deixarás de me sentir no frio sideral.
Satellite, minha querida, se as nuvens de chuva hiemais construírem entre nós uma barreira, não esqueça: sorria como o sol te ensinou. E então eu também sorrirei.
E no cair da noite, cubra-se com o azul e o verde, e tenha sonhos em que sejas a rainha do castelo de São Jorge, e cavalgue pelos bosques lunares.
Minha querida Satellite, quando quiseres descobrir como te vejo e te tenho na memória, apenas leia aquele poema o qual nunca entendi, mas sempre gostei. E soará pra ti como lufadas roucas de um saxofone.
Durante nosso jantar, quando as arraias douradas voarem por nós como fossem pássaros noturnos, não te espante e ainda me convide a conferi-las e a achar qual delas é a maior ou a menor. Depois que chegarem ao destino, elas voltarão fartas de terem se alimentado de estrelas.
Guarde pincéis e tintas para que tu pinte as auroras quando eu acordar. Nas cores que quiseres, mas pinte sempre uma estrela cadente de verde. Porque verde é tua cor que guardo em mim. E nunca esquecerei da cor verde, nem de ti, mesmo em cegueira.
Por fim - mas não por nosso fim - quando o teu sentimento brotar, minha querida Satellite, sorria mais uma vez, e deixe que a chuva daquelas nuvens caia em mim, mas dessa vez, em chuva ensolarada.
E ela escorrerá sobre o campo das florezinhas amarelas, que brotarão com a tua chuva do amanhecer, minha querida Satellite.