terça-feira, 6 de novembro de 2007

Balsas

Algumas vezes passamos por experiências que nem sonharíamos que fossem algo de produtivo, ou mesmo algo que traria um adendo à nossa vivência nessa tal Terra. Pois bem, explicando o porquê dessa reflexão, contarei sobre uma viagem que fiz à Balsas há bem pouco tempo. Fui para lá a cargo de proferir palestras, e como prediz a primeira frase desse texto, esperei nada mais do que lecioná-las.
Eis que ao chegar na cidade, vi que a estadia traria algo a mais.
Cheguei às algumas horas da noite de um domingo no que parecia ser uma das principais ruas da cidade, onde havia uma sorveteria e uma pizzaria em cada lado desta. Ah, essa cidade é interessante, sim senhor! As mulheres que povoavam aqueles estabelecimentos traziam um brilho diferente em suas auras, fato que também notado por meus companheiros masculinos.
Incrível como elas movem-se graciosamente, desviando-se com facilidade entre as investidas de seus conterrâneos do sexo oposto, que cá entre nós, acho nem sequer possuem brilhos nas auras; não o digo com certeza, pois quase nem percebi a existência deles. Mulheres de pele macia, e cabelos viçosos; olhos e bocas maravilhosos por si sós, ainda mais deslumbrantes emoldurados por belos rostos. Assiti a tal cena como uma criança em uma loja de doces.
Como sempre existe um "porém", este resolveu dar as caras agora. Infelizmente não pude ter o deleite de poder conhecê-las melhor naquele momento. Nem de ouvir os doces timbres de vozes que pude perceber apenas de longe.
O motivo do porém, de tão banal, não convém à história, bem o sei. Sei ainda que novamente me imaginei a criança na loja de doces, mas uma criança diabética.
Prosseguindo, no dia seguinte - "hora da palestra, afinal". A caminho do auditório, ainda andando pelas ruas da cidade pude confirmar minha primeira impressão. Encantava-me em qualquer esquina com um rosto surgido sabe-se lá de onde. Francamente isso foi um tanto demais para o meu pobre coração que não se adaptou a tão forte sobrecarga. Mas em tudo dá-se um jeito, até mesmo nesse danado. Dizem que ele pode suportar mais do que se pode imaginar. Ali, sem dúvida, seria um bom local para verificá-lo. Maldito futuro do pretérito.
Ah, Balsas, onde até as mulheres feias são bonitas, e até as mulheres que não são feias, nem bonitas, são desejadas. Sei que não estendeste, pude senti-lo. Infelizmente não há outra maneira de colocar a sentença, creio que apenas passando por essa experiência para compreendê-la plenamente.
Gonçalves Dias uma vez disse "não permita Deus que eu morra sem que eu volte para lá". Tenho pra mim que não foram exatamente essas palavras, e muito menos que ele se referia à Balsas, mas pelo que há de perceberes nesse texto, é exatamente o que sinto nesse momento. Se o poeta já não houvesse criado esse verso, acredito que ele brotaria nesse instante através agora das teclas de um computador. E eu voltarei sim, claro, hei de voltar ainda em vida para Balsas. Permita Deus.

1 comentários:

gato de Schrödinger disse...

Este Gato ludo-germânico nunca esteve em Balsas, mas agora seus bigodes eriçaram-se diante de uma expectativa futura de conhecer as "belezas naturais" desta cidade de nome tão simpático. Quem sabe para viver um desses momentos despretensiosos que, inopinadamente, transformam-se numa experiência pra lá de relevante. (Que, nesse caso, não seria assim tão inesperado, não é mesmo?)

Um abraço e até a próxima.