Dois pontos
Quando eu te convidava pra pizzaria
e tu me dizia que era lugar de idosos e casais com crianças barulhentas
embora tu sempre aceitasse a um segundo convite
Quando tu treinava comigo as apresentações dos trabalhos da faculdade
mesmo sabendo que o real motivo de eu estar ali
era o lanche que a tua mãe preparava
E que falando nela,
tu gostava de me deixar sem graça na presença dela
falando de como eu achava o sotaque dela engraçado
Quando te ensinei a dirigir, e tu estancava o carro
sempre que eu dizia "não olha pra marcha"
e me reclamava que ficasse calado, e eu replicava que tu era telepática
Eu acariciava os polegares nas tuas sobrancelhas
e tu ria sem motivo nenhum,
porque na sobrancelha ninguém tem cócegas
E te ensinei a tocar o violão,
e gostava de ajeitar a posição dos teus dedos
e tinha até pena de vê-los marcados pelas cordas
Achei graça até quando tu resolveu banhar na chuva
e passou a semana seguinte gripada
mas pelo menos eu gostei, tu me disse
Quando eu reclamava que a água era gelada demais para me barbear
e não sei de onde tu veio com um balde de água mais gelada
e me molhou, e achei aquilo desconfortável, mas fantástico
E de tanto me ouvir cantar músicas do Jobim
passou a gostar dele também
e deixou de achar os peixinhos a nadar no mar ridículos
E me cobrava tanto e tantas cartas de amor
no que eu dizia que a inspiração não tinha hora
e eu achava minha resposta tão ridícula quanto os peixinhos
Sem falar na minha foto três por quatro que tu mantinha na carteira
e eu nunca entendi por que guardar algo tão sem sal
que me lembrava formulários ou filas de banco
E hoje onde estou sem eiras, e cheio de beiras
Recorro ao retrato de nós dois e um desconhecido que me cobriu a metade
Feito no dia em que te conheci
No dia que o sol me pareceu ter brilhado um pouquinho mais
sábado, 23 de fevereiro de 2008
Retrato em cores
Assinar:
Postar comentários (Atom)
7 comentários:
Achei de ler isso aqui em um péssimo momento, ouvindo O anjo mais velho - do teatro mágico - e num horário que contribui bastante pra quem quer refletir...
Tu me fez chorar!
Perfeito.
Beijo, mundy! *=
o sol brilhacada vez mais pra você...
depende da maneira que você enxergar :B
"e tu ria sem motivo nenhum,
porque na sombrancelha ninguém tem cócegas"
gente, que coisa mais linda!
(tu sabia que eu tenho uma foto 3x4 tua acho que na minha carteira ? usahusahusaua)
Ah, teu blog tá o mais prog de todos! Haha!
Beijo, beijo, beijo!!! ><'
não parei, foi só uma longa pausaaaaa...
mas tu é que não para né?
To com minha leitura atrasadíssima nesse teu blog!
(mostrei pra arthur, o teu texto que eu mais gosto, ele disse que tu escreve bem que só ;])
Cara... Sem palavras.
Poesia que nem essa é melhor nem comentar. Aliás, nem tem motivo. Ela se basta.
Felino abraço.
Poxa mundi...
Postar um comentário