5.11.16

São


Uma multidão com fones de ouvido
Uma multidão
Que ouve uma infindável musica sem refrão
Que apenas cresce
Que

Um cachorro perdido num estacionamento
Amedrontado
Como uma mulher que às 23 espera o ônibus
Um, uma

Despejar em alto volume no bar
A fala recolhida mansa desde a segunda-feira
O pensamento engaiolado anônimo no apartamento
O som

São Paulo é sujeito oculto da frase que todos pensam ja ter lido
As roupas cor de vaidade
Do Itaim à Augusta
A vaidade que une a multidão de rostos

Asfalto afogado
Concreto afogante
Cem vidas reiniciaram no ultimo alagamento

Os signos do pixo, das placas
Mantenha a esquerda livre
Quero ser usada pelo poeta, pelo dinheiro

Ninguém é daqui
Ninguém tem pai nem mãe
Adolescência de uma vida toda
Com os pesos de responsabilidades

Um poeta cria no celular
O barão guarda dinheiro no colchão
E um dia de sol irrompe terremotinhos na avenida paulista

A maior receita
A maior velocidade
A maior produção
A maior população
Não é cidade
Nem maior

Um beijo de amor escondido num protesto anti-Dilma,
anti-PT,
tudo isso que tá aí
Ela vendia Mary Kay e me falava de Foucault

Tenho uma orquídea que nunca mais floresceu
E nunca deixou de morrer
Escondida no meu banheiro

Preciso comprar queijo
Sou o primo que deu certo
Faço compras num supermercado que toca jazz
Com golden retrievers em carrinhos de bebê

As meninas nuas para a retina do obturador da internet
E ainda a adolescência sem fim
Pois preciso falar de sexo
Naturalmente falar de pau, boceta
Porque são coisas naturais
Mas não é natural

O louco que grita na calçada
Que corre nu e se abraça a um poste
O louco que grita detrás do vidro do vigésimo andar
Que se abraça às horas extras do serviço
As loucuras são levadas à sério

O asfalto cheio de chicletes
Pilulado por pontinhos de tantas cores
De longe é o concreto
Da ponte
Do prédio
Do metrô
Da rua
Pilulado com tantas cabecinhas passantes

Insão

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