<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-421017557762351251</id><updated>2012-01-16T05:46:45.115-08:00</updated><title type='text'>Baixo-falante</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://baixofalante.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421017557762351251/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baixofalante.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Borges Júnior</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07876661105047439149</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>38</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421017557762351251.post-3360118737255808804</id><published>2012-01-15T12:34:00.001-08:00</published><updated>2012-01-15T12:34:08.131-08:00</updated><title type='text'>Abehar</title><content type='html'>&lt;p&gt;Antes, quando eu julgava ser imortal   &lt;br /&gt;bastava-me essa noção    &lt;br /&gt;e produzia tudo em quanto    &lt;br /&gt;Hoje, tendo adquirido a mortalidade    &lt;br /&gt;adquiri também     &lt;br /&gt;raízes na inoperância&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421017557762351251-3360118737255808804?l=baixofalante.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baixofalante.blogspot.com/feeds/3360118737255808804/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421017557762351251&amp;postID=3360118737255808804&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421017557762351251/posts/default/3360118737255808804'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421017557762351251/posts/default/3360118737255808804'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baixofalante.blogspot.com/2012/01/abehar.html' title='Abehar'/><author><name>Borges Júnior</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07876661105047439149</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421017557762351251.post-4038350043901609002</id><published>2010-09-13T19:00:00.000-07:00</published><updated>2010-10-21T17:58:05.299-07:00</updated><title type='text'>Céu Nublado</title><content type='html'>Havia ali, na rua logo abaixo, uma flor que brotava no asfalto. &lt;br /&gt;Eu, teimoso em ver encanto no trivial inesperado, achava isso fantástico. Me postava ali, sentado na calçada, a admirar o espetáculo de uma flor ao sol, ilha em meio ao escuro mar do asfalto. Suas pétalas eram brancas com minúsculos pontinhos escuros.&lt;br /&gt;Apertava os olhos e sorria. &lt;br /&gt;Sentia-se de longe o perfume ímpio do seu coração imenso e bravo. Se houvesse uma cor nesse aroma, seria lilás, pura e intensa de sua impassividade ao amor.&lt;br /&gt;Por tanto apreço à flor, preocupava-me dos carros que iam e vinham.&lt;br /&gt;Ela não tinha essa apreensão, afinal, escolhera brotar ali e ali abrir os braços ao sol. Os carros eram de outro mundo. Na minha vista, ali havia apenas uma flor. Desaparecem carros, casas, pessoas, cidade. É o meio de tudo. É o espetáculo de apenas ser.&lt;br /&gt;Preocupação tola, a minha. Mais que isso, infantil - infantil como eu me sentia ali sentado na calçada assistindo a uma flor banhar-se em sol. É desses sentimentos de rendição que não se percebe chegar. Deixo-me persuadir pela suave e inocente figura de pétalas alvas em meio ao negro do mundo.&lt;br /&gt;Asfalto quente e escuro, emana ondas de calor que me confundem a vista em certas ocasiões. Perco-me, confundo-me, assalto-me da coerência; desnorteio-me sem a vista real da flor branca de pontinhos escuros. O problema é o asfalto. O problema são os carros. O problema são os outros. Quisera eu parar todos os carros, resfriar o asfalto. Convive-se e aprende-se. Mais que isso, sente-se. Flor feita apenas do sentir. &lt;br /&gt;Na separação, de volta à minha casa, contemplo apenas o céu na rua onde moro: nublou, e nada mais pode me trazer uma lembrança tão forte quanto essas nuvens sob o sol que banha o sorriso minha flor do aslfato.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421017557762351251-4038350043901609002?l=baixofalante.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baixofalante.blogspot.com/feeds/4038350043901609002/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421017557762351251&amp;postID=4038350043901609002&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421017557762351251/posts/default/4038350043901609002'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421017557762351251/posts/default/4038350043901609002'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baixofalante.blogspot.com/2010/09/ceu-nublado.html' title='Céu Nublado'/><author><name>Borges Júnior</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07876661105047439149</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421017557762351251.post-3741431252513364079</id><published>2010-04-02T18:40:00.000-07:00</published><updated>2010-04-02T18:42:19.628-07:00</updated><title type='text'>A noite é inteira</title><content type='html'>América percebeu que precisava trocar a escova de dentes. Notava uma leve aspereza em alguns dentes ao toque da língua. Guardou como uma nota mental passar amanhã no mercado para comprar uma escova. Enquanto encarava o próprio rosto no espelho, maquiado com a espuma do creme dental nos lábios, pensou nos demais afazeres. Organizar os dvd's nas devidas capas, trazer as roupas limpas para o guarda-roupa, levar as sujas para a área de serviço, pesquisar na internet alguma forma alternativa para disfarçar os fios brancos que apareciam no cabelo.  Talvez reorganizasse a posição do sofá na sala.&lt;br /&gt;Na noite alta, era seu hábito manter-se ocupada. A noite na janela estava escura, ainda sem estrelas. O silêncio era o mesmo. A única diferença era que Ele não estava mais lá. &lt;br /&gt;Às tantas da madrugada, achou lugar em que sentia-se disposta. Agora lia um tanto, mas não prestava atenção realmente ao texto. Os pensamentos disputavam sua atenção com o livro que tinha em mãos; sempre havia algo para fazer, algo para organizar. Queria sempre ter alguma tarefa a cumprir.&lt;br /&gt;Foi a forma que encontrou para por ordem na própria vida. Não sabia isso de claro, mas era a diretriz que comandava tudo o que fazia. Pensava no mundo, pensava no tempo, pensava na idade, e sobretudo, pensava nas pessoas.&lt;br /&gt;Havia um pouco tempo, talvez alguns meses, que sentia-se distanciar das pessoas, ao passo que queria ao mesmo tempo entendê-las cada vez mais. Tem lá sua lógica. Assista tudo de cima, veja o rato correr o labirinto. Uma aranha na janela, um anjo na piscina. Assista as pessoas irem e virem nas calçadas. Talvez isso tenha acontecido por ter perdido o emprego, todo esse desapego. Justo ela, que lidava com pessoas o tempo inteiro em sua rotina de recepcionista. Talvez tenha sido a solidão sólida que sentiu quando Ele se foi. Parecia ter contagiado-se com o pensar descontrolado que Ele tinha. Mas no caso de América, os pensamentos tinham o único propósito de manter longe o fato de que Ele não estava mais ali. Isso também não sabia de claro.&lt;br /&gt;Largou o livro no colo e deixou a cabeça pender ao recosto do sofá. No tempo em que analisava o acúmulo de insetos no lustre da sala, achava estranho a necessidade de que as pessoas têm em se agarrar a outrem. Dela própria depender tanto dele, justo agora que Ele era apenas ausência.&lt;br /&gt;Sentiu o dedo latejar novamente. Queimou-o enquanto esquentava o café do dia anterior; preferiu mantê-lo sem band-aid, sem pomadas, sem manteiga. Cedo ou tarde tudo voltará ao normal. Isso trouxe-a de volta à realidade. Ainda que tivesse o dedo inoperante, resolveu levantar-se do sofá e puxá-lo para mais próximo da janela. Mesmo depois de ter passado a noite em claro carregando livros e varrendo pisos, queria cansar-se mais. Assim o descanso é honesto. &lt;br /&gt;Posicionou o sofá abaixo da janela e vislumbrou a noite sendo aniquilada pelo dia nascente. A noite que Ele a deu. "América, meu amado continente". Foi o que havia escrito numa das poucas cartas que que fez. Animou-se discretamente com a lembrança, mas não o suficiente para que algum sorriso surgisse. Não em seu rosto; na alma talvez. Por conseguinte, lamentou e pensou: "A noite é inteira". Às vezes sentia uma certa raiva em estar bagunçando mais ainda o apartamento, mitigando a ordem de seu espaço a cada dia que passava com suas efêmeras organizações. Raiva dele por entrar tantas vezes em sua mente sem pedir permissão.&lt;br /&gt;O dia estava alto e não havia mais tempo para pensar ou pensar em algo mais a fazer. Era hora de sair em busca de outro emprego, comprar a escova de dentes nova; mas antes disso precisava alimentar seu animal: um dragão pálido ufava e ansiava por comida em sua pequena caixa na cozinha.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421017557762351251-3741431252513364079?l=baixofalante.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baixofalante.blogspot.com/feeds/3741431252513364079/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421017557762351251&amp;postID=3741431252513364079&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421017557762351251/posts/default/3741431252513364079'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421017557762351251/posts/default/3741431252513364079'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baixofalante.blogspot.com/2010/04/noite-e-inteira.html' title='A noite é inteira'/><author><name>Borges Júnior</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07876661105047439149</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421017557762351251.post-3518686758881043490</id><published>2009-06-24T20:58:00.000-07:00</published><updated>2009-06-24T21:08:26.759-07:00</updated><title type='text'>Versos para a bailarina ladra</title><content type='html'>Bailarina furtiva&lt;br /&gt;Invadiu-me casa &lt;br /&gt;na ponta dos pés&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trouxe o hálito da noite&lt;br /&gt;E folhas para o tapete&lt;br /&gt;Com um sorriso cerrado&lt;br /&gt;Rodopiou porta adentro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Silenciosamente&lt;br /&gt;Passeou por dentre a louçaria &lt;br /&gt;Trilhou o carpete&lt;br /&gt;No topo das ponteiras&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Fouetté&lt;br /&gt;Os grilos cantavam a valsa&lt;br /&gt;A noite brilhava ao palco&lt;br /&gt;Bailarina furtiva&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sorriu para o reflexo na tv&lt;br /&gt;Saudou as poltronas&lt;br /&gt;E girava a cada vez&lt;br /&gt;Que sentia o silêncio &lt;br /&gt;Dos porta-retratos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Madrugada&lt;br /&gt;Num descuido qualquer&lt;br /&gt;Não entreviu o aplauso &lt;br /&gt;Do expectador insone&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No alarme teu, bailarina&lt;br /&gt;A sopeira foi ao chão&lt;br /&gt;Destruiu o silêncio e a porcelana&lt;br /&gt;E o espetáculo foi ao fim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fugiu perdida, trôpega&lt;br /&gt;Deixando-me na questão&lt;br /&gt;Se era sonho ou divina realidade&lt;br /&gt;Imagine, uma ladra dançante&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os cacos no chão&lt;br /&gt;Meu coração na mão&lt;br /&gt;Pedem que ela volte&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421017557762351251-3518686758881043490?l=baixofalante.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baixofalante.blogspot.com/feeds/3518686758881043490/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421017557762351251&amp;postID=3518686758881043490&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421017557762351251/posts/default/3518686758881043490'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421017557762351251/posts/default/3518686758881043490'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baixofalante.blogspot.com/2009/06/versos-para-bailarina-ladra.html' title='Versos para a bailarina ladra'/><author><name>Borges Júnior</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07876661105047439149</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421017557762351251.post-8344537205221084615</id><published>2009-02-23T23:34:00.000-08:00</published><updated>2009-03-23T17:30:51.630-07:00</updated><title type='text'>Ataque Cardíaco</title><content type='html'>Dia desses, sem mais nem menos, Sabirá me chega alterado, disparando palavras sem o mínimo cabimento. Estava chateadíssimo, irritado com algo que no momento não pude discernir a natureza. De tão nervoso que estava, embargava  a voz de modo que eu não pude entender nada; sua ânsia ultrapassava a capacidade de algum tipo de comunicação comigo.&lt;br /&gt;Entretanto, notei que Sabirá realmente estava agindo de forma estranha por esses dias, mas confesso que não me importei muito com o caso. E posteriormente fui entender que justamente foi o descaso o estopim para falatório. A indignação chegou a tal ponto que pensei que, já que não pôde se expressar verbalmente, Sabirá fosse me machucar fisicamente. Felizmente não foi o caso; o Sabirá enfim conseguiu conectar as palavras e me disse:&lt;br /&gt;- Parou, parou. Acabou. É sério. Que droga, tu não dá a mínima atenção pra cá, pra onde eu tô, pras coisas que eu faço, ah, não; falo e falo e tu não ouve! Tá certo, eu sei que existem pessoas desligadas, mas isso já é demais. Como se o que eu te falasse fosse te levar a algo humilhante, ou danoso, ou qualquer coisa que não seja boa; mas não é, não é! O que eu te digo é única e exclusivamente pro teu bem, nada mais que isso. E tu ignorando. Diz que estou errado, e sei lá quê mais, essas tuas coisas sem cabimento. Não sei o que eu te fiz.&lt;br /&gt;- Sabirá – interrompi o discurso tentando ser o menos incisivo possível –, vamos lá: respira. O que foi?&lt;br /&gt;- É isso, não ouviu? Acho que não, né.... não sei porque ainda pergunto. Aliás, não sei por que ainda tento te explicar alguma coisa.&lt;br /&gt;- Escuta, eu já percebi que tu estás chateado por causa da minha falta de atenção contigo, e tudo o mais - peço desculpas até -, mas para e pensa o que acabou de acontecer aqui: tu acha que isso tudo tem muito sentido?&lt;br /&gt;- Que sentido?! Lá me vens tu e a danada dessa razão! Não pare e pense, apenas pare de pensar!&lt;br /&gt;- Eu não consigo! Só em tu falares isso, já me faz pensar!&lt;br /&gt;- Então fica aí pensando, eu já vou indo.&lt;br /&gt;E foi mesmo. Desbocado, esse sujeito. Sai falando o que vem à telha, depois estranha porque às vezes não considero muito o que ele diz. Vez ou outra tenho meus desentendimentos com ele, mas sempre o considerei muito. O pior é que, apesar de ter feito esse discurso todo contra a razão, ele tem alguma. Tenho que parar com isso de pensar demais. Devia ter dito isso pra ele, mas acho que não é a melhor hora. Melhor deixar o ânimo de Sabirá esfriar um pouco, e então vou pensar num jeito de voltar ao assunto com ele. Esses ataques do Sabirá me fazem ficar um tanto desconcertado. Sempre fico pensando no quanto preciso dele.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421017557762351251-8344537205221084615?l=baixofalante.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baixofalante.blogspot.com/feeds/8344537205221084615/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421017557762351251&amp;postID=8344537205221084615&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421017557762351251/posts/default/8344537205221084615'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421017557762351251/posts/default/8344537205221084615'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baixofalante.blogspot.com/2009/02/ataque-cardiaco.html' title='Ataque Cardíaco'/><author><name>Borges Júnior</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07876661105047439149</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421017557762351251.post-1908960917531889413</id><published>2008-12-07T13:37:00.000-08:00</published><updated>2008-12-07T18:41:45.288-08:00</updated><title type='text'>Sobre as aves-do-paraíso</title><content type='html'>Conta um pai à filha:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quando eu era pequeno, do teu tamanho, papai uma vez me levou a uma feira que tinha ali perto do campinho, e que hoje não existe mais. Tinha venda de tudo: pedras vindas com os trovões, bichos que se alimentavam de vento, tecidos trançados a partir de gemas preciosas, remédios contra a saudade, quadros vivos, vagalumes para se colocar no cabelo, e tantas outras coisas. E claro, tinha o usual, temperos, galinhas, roupas, peixes, e tudo o mais.&lt;br /&gt;- Eu andava fascinado com tudo aquilo - às vezes quando passo pelo campinho, lembro desse dia. Fazia um certo calor, mas não me incomodava, e eu sei que o calor também não te incomoda, deves ter puxado isso de mim. Havia também muito barulho de gente gritando, animais cacarejando, outras crianças correndo, outras carregando as compras para as madames, enfim, a feira pulsava no apogeu de cada dia. &lt;br /&gt;- Mas sim, aonde quero chegar: teve um momento em que eu, distraído com uma caixa cheia de humaninhos, perdi da mão do pai. E enquanto fui procurando por ele pelos corredores da feira, e tinha tanta coisa a se prestar atenção, que de súbito, em minha frente, revoou um bando de pássaros de cores todas em cada um. Fiquei um tanto estarrecido do susto e da beleza, e acompanhei-as com o olhar até sumirem em vários pontos diferentes. Voavam algumas apressadas, outras apenas planavam com poucas batidas de asas, até sumirem dentre as árvores que tem até hoje perto do campinho.&lt;br /&gt;- Surgiu então um sujeito meio gordo ao meu lado que disse que aquelas eram aves-do-paraíso. Pensei que tinham esse nome por serem tão bonitas, mas ele explicou porque elas tinham esse nome. O inicío da explicação foi uma pergunta: 'reparou nas patas delas?'. Respondi que não, que eu só tive tempo de ver quantas cores cada uma tinha. Ele explicou contando que elas não tinham pata alguma, os únicos membros eram as asas. Já imaginando minha dúvida, continuou a explicação. Disse que por isso elas eram do paraíso, por nunca pousarem. Voam sempre, e que talvez fosse até aves divinas, tendo contatos apenas passageiros com a terra. Continuou explicando que elas colocam os ovos sobre as costas das outras durante o vôo, e assim servem de ninho umas às outras até que o pequeno pássaro tome conta de si. &lt;br /&gt;- 'E por que elas estão aqui?' perguntei. Meu pai chegara há pouco, e, já na intenção de repreender-me por ter solto da mão dele, desistiu da idéia (ou esqueceu) ao ouvir o que o homem gordo contava sobre as aves-do-paraíso. O homem finalizou a história contando que aquele bando aparece por onde quer que ele vá, sempre ao meio-dia, há pouco mais de vinte anos. Tendo dito isso, papai tomou minha mão novamente e despediu-se do homem. Fomos comprar vinagreira em uma outra barraca, e de lá, rumo de casa. &lt;br /&gt;- Durante o caminho, meu pai falou que essa foi a história mais besta que ele já tinha ouvido, e que história por história, prefere a da raposa, que ele me contava sempre - e que eu já te contei também, mocinha. &lt;br /&gt;- Pois é, essa é a história que eu tinha pra contar hoje. Amanhã te conto o que realmente são as aves-do-paraíso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E beijou em boa-noite a filha. Ao sair da margem da cama, o pai teve a intenção controversa de não contar que as aves-do-paraíso são na verdade pessoas tão iguais a ela, a filha, que nascem do céu e no céu, que são alheias ao mundo, que trazem todas as cores em si, e que até levam outras pessoas todos os dias ao paraíso. Eis o que ele tinha sobre as aves-do-paraíso. &lt;br /&gt;Mas no dia seguinte planejava inventar outra história para filha, porque saber das aves-do-paraíso é mais sonhativo quando se tem os pés na terra.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421017557762351251-1908960917531889413?l=baixofalante.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baixofalante.blogspot.com/feeds/1908960917531889413/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421017557762351251&amp;postID=1908960917531889413&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421017557762351251/posts/default/1908960917531889413'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421017557762351251/posts/default/1908960917531889413'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baixofalante.blogspot.com/2008/12/sobre-as-aves-do-paraso.html' title='Sobre as aves-do-paraíso'/><author><name>Borges Júnior</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07876661105047439149</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421017557762351251.post-8195575103739167152</id><published>2008-10-11T18:22:00.000-07:00</published><updated>2008-10-13T17:52:05.976-07:00</updated><title type='text'>Doença e cura (II)</title><content type='html'>2. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(poderia ter quarenta anos, poderia ter cinquenta, poderia ser católico, poderia ser ateu, poderia ter dois filhos, poderia ser filho único, poderia ser corretor, poderia ser prefeito, poderia morar na periferia, poderia trabalhar no centro, poderia ir embora, poderia pedir pra que ninguém fosse, poderia, poderia. mas não podia)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns dias depois deparei com um sujeito fitando a imagem de Nossa Senhora que ficava no corredor que desemboca no balcão de admissão de pacientes. Reconheci como sendo o filho de uma senhora que também aguardava ser operada naquela semana. &lt;br /&gt;Armava as mãos na cintura e repousava olhar perdido nos olhos da estatueta. Quando os pensamentos tiravam-lhe os pés do chão, o olhar estancava numa única direção indefinida no sentido à imagem; quando era reconectado à realidade, passava a analisar cada detalhe da vestimenta da santa, e a observar as cartas que se acumulavam ao pé de Nossa Senhora. Talvez imaginasse o que haveria nelas. Além disso, havia algumas fotos três por quatro anexadas às mensagens.&lt;br /&gt;Agora dependia da estatueta sorridente de Nossa Senhora para enganar o medo de perder a mãe. Procurar quase desesperadamente um detalhe novo a cada segundo, isso mantém a mente ocupada. Religião, não, ele não era religioso. Suplicar por amor, rebaixar-se ante alguém ou algo, isso é para os submissos por natureza, não ele. &lt;br /&gt;Mas aqueles quarenta centímetros de gesso instigavam-no a não pensar assim. A mãe dormindo no leito e ele ali, no corredor, conversando sozinho. Precisava de ajuda - não queria, mas precisava. Querer, poder, precisar. Nada disso é controlável. Não sabia se era pior depender de pessoas, deuses, ou do gesso. Não sabia por quê. Não sabia de nada, aliás. E se a mãe fosse embora? A mãe vai embora? É isso, acabou? Tudo isso pra acabar assim? Nossa Senhora, me diga. &lt;br /&gt;Teu manto parece mais azul do que em cinco minutos atrás.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421017557762351251-8195575103739167152?l=baixofalante.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baixofalante.blogspot.com/feeds/8195575103739167152/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421017557762351251&amp;postID=8195575103739167152&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421017557762351251/posts/default/8195575103739167152'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421017557762351251/posts/default/8195575103739167152'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baixofalante.blogspot.com/2008/10/doena-e-cura-ii.html' title='Doença e cura (II)'/><author><name>Borges Júnior</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07876661105047439149</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421017557762351251.post-2446031388638912627</id><published>2008-09-30T19:34:00.000-07:00</published><updated>2009-07-18T23:09:23.353-07:00</updated><title type='text'>Doença e cura</title><content type='html'>1. Na ala 3 da clínica cirúrgica do Presidente Dutra, fui ter com seu Raimundo Bastos, um senhor de figura magra e barba por fazer - e ainda assim, um senhor que despertava a simpatia. Perguntei-lhe como estava, se ansiava pela cirurgia que faria no dia seguinte, se tinha alguma queixa além da registrada no momento da internação, e qualquer outra pergunta de uma visita normal que um funcionário do hospital faria ao paciente. Seu Raimundo respondeu a todas as perguntas sem qualquer sinal de incômodo, mas alguma sutileza do momento que não me chegou ao consciente, fez pensar que ele não estava totalmente à vontade ali. &lt;br /&gt;Perguntei-lhe quando receberia visitas de parentes, para que eu - em tom de brincadeira, como faço de praxe com meus pacientes - pudesse contar a eles todas as contrariedades que Seu Raimundo fazia ao que lhe era pedido para que tivesse bom pré-cirúrgico.  Da mesma forma que se conta a uma mãe o que o filho anda fazendo de errado, ou que um colega de escola vai denunciar o amigo para a professora. O faço para que a sobriedade da visita ao paciente seja dissipada.&lt;br /&gt;Mas Seu Raimundo disse: não tenho ninguém. E chorou. &lt;br /&gt;O choro de um idoso é mais pesaroso que o de uma criança, e aquilo me pegou desprevenido. Aquela figura simpática e risonha que eu via antes disso, foi substituída no mesmo instante por um senhor de estampa tão débil quanto um filhote de qualquer mamífero, cego e desnudo ao mundo.&lt;br /&gt;Não tenho ninguém. Essas palavras tiveram acesso direto ao meu íntimo, antes que eu percebesse. Compartilhei da dor dele, mas não deixei que isso resplandecesse pra fora. Apertei-lhe o ombro e disse que ali, pelos menos ali, ele tinha alguém. Disse-lhe mais algumas outras coisas que não recordo agora, mas eram todas com esse sentido. Seu Raimundo pareceu reconfortar-se, e permaneceu em conversa com o outro paciente no leito ao lado, o qual acompanhou tudo, e continuava a confortá-lo e a relatar a própria experiência com familiares. Um tanto constrangido, um tanto desarmado, pedi licença aos dois e continuei com o intinerário de visitas aos pacientes. &lt;br /&gt;Ao sair da enfermaria, entretanto, deparei comigo indagando a mim mesmo e lamentando por não ter dito o que queria ao Seu Raimundo. Não ter dito que a dor dele fez conexão instantânea com a minha naquele instante, e que, se tivesse tempo para achar as palavras certas, poderia ter-lhe dito tanto e tanto sobre não ter ninguém. Que na verdade poderia ter escrito páginas e livros sobre o que é a solidão. Mas assim, em assalto, não pude fazer nada além de fingir. E remoer pensamentos os que serão ração do meu rotineiro desligamento da realidade.&lt;br /&gt;Que fique comigo, então: minha doença que apenas eu sei o diagnóstico. &lt;br /&gt;Estou transgredindo as recomendações do pré-operatório.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421017557762351251-2446031388638912627?l=baixofalante.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baixofalante.blogspot.com/feeds/2446031388638912627/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421017557762351251&amp;postID=2446031388638912627&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421017557762351251/posts/default/2446031388638912627'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421017557762351251/posts/default/2446031388638912627'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baixofalante.blogspot.com/2008/09/doena-e-cura.html' title='Doença e cura'/><author><name>Borges Júnior</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07876661105047439149</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421017557762351251.post-1634323138579546912</id><published>2008-08-19T17:31:00.000-07:00</published><updated>2008-08-19T17:32:40.768-07:00</updated><title type='text'>*</title><content type='html'>Perceberam a invasão de borboletas amarelas na cidade?&lt;br /&gt;Estou me sentindo em Macondo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421017557762351251-1634323138579546912?l=baixofalante.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baixofalante.blogspot.com/feeds/1634323138579546912/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421017557762351251&amp;postID=1634323138579546912&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421017557762351251/posts/default/1634323138579546912'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421017557762351251/posts/default/1634323138579546912'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baixofalante.blogspot.com/2008/08/blog-post.html' title='*'/><author><name>Borges Júnior</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07876661105047439149</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421017557762351251.post-8962322840909857853</id><published>2008-07-17T21:17:00.000-07:00</published><updated>2008-07-24T22:10:08.632-07:00</updated><title type='text'>Minha querida Satellite</title><content type='html'>Ao voares céu afora, me escute na chuva do amanhecer: quando eu a tiver perto de mim, cantarei uma canção sobre uma menina que corre num campo, entre trevos e florezinhas amarelas. E tu serás uma dessas flores, minha querida Satellite.&lt;br /&gt;Destilarei, a cada três vezes que o sol sumir no teu horizonte, cinco gotas de meu sentimento, e esperarei que evapore e alcance teus poros. Assim não deixarás de me sentir no frio sideral.&lt;br /&gt;Satellite, minha querida, se as nuvens de chuva hiemais construírem entre nós uma barreira, não esqueça: sorria como o sol te ensinou. E então eu também sorrirei.&lt;br /&gt;E no cair da noite, cubra-se com o azul e o verde, e tenha sonhos em que sejas a rainha do castelo de São Jorge, e cavalgue pelos bosques lunares. &lt;br /&gt;Minha querida Satellite, quando quiseres descobrir como te vejo e te tenho na memória, apenas leia aquele poema o qual nunca entendi, mas sempre gostei. E soará pra ti como lufadas roucas de um saxofone.&lt;br /&gt;Durante nosso jantar, quando as arraias douradas voarem por nós como fossem pássaros noturnos, não te espante e ainda me convide a conferi-las e a achar qual delas é a maior ou a menor. Depois que chegarem ao destino, elas voltarão fartas de terem se alimentado de estrelas.&lt;br /&gt;Guarde pincéis e tintas para que tu pinte as auroras quando eu acordar. Nas cores que quiseres, mas pinte sempre uma estrela cadente de verde. Porque verde é tua cor que guardo em mim. E nunca esquecerei da cor verde, nem de ti, mesmo em cegueira.&lt;br /&gt;Por fim - mas não por nosso fim - quando o teu sentimento brotar, minha querida Satellite, sorria mais uma vez, e deixe que a chuva daquelas nuvens caia em mim, mas dessa vez, em chuva ensolarada. &lt;br /&gt;E ela escorrerá sobre o campo das florezinhas amarelas, que brotarão com a tua chuva do amanhecer, minha querida Satellite.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421017557762351251-8962322840909857853?l=baixofalante.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baixofalante.blogspot.com/feeds/8962322840909857853/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421017557762351251&amp;postID=8962322840909857853&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421017557762351251/posts/default/8962322840909857853'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421017557762351251/posts/default/8962322840909857853'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baixofalante.blogspot.com/2008/07/minha-querida-satellite.html' title='Minha querida Satellite'/><author><name>Borges Júnior</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07876661105047439149</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421017557762351251.post-8285026561272976920</id><published>2008-06-14T20:42:00.000-07:00</published><updated>2008-06-14T20:43:37.650-07:00</updated><title type='text'>Ponteando</title><content type='html'>Sempre achei que uma folha de papel rabiscada fosse um universo vasto para exploração tão como um quintal é para uma criança. Qualquer pedaço solto de versos copiados, as anotações de uma aula no caderno da moça, o caderno de composições daquele cabeludo que mora ali à frente, o primeiro diário que a menina acaba de ganhar dos pais. Cada dessas peças é um ecossistema; um banquete diverso com vários convidados, que opera harmoniosa, hirerárquica e dinamicamente&lt;br /&gt;É só reparar bem: veja como se porta o ponto de exclamação! Está ali, sempre de pé, mantendo o ânimo dos convivas. É o anfitrião de tudo isso, bastante criativo, faz bom uso da empolgação e das idéias que ele tem. Fala alto e gesticulando no centro da sua roda de amigos, fazendo a taça de vinho que traz na mão dançar. Corre na família uma velha frase que o descreve bem:o ponto de exclamação vai direto ao ponto.&lt;br /&gt;As pessoas mais contidas acham ele um tanto chato; inoportuno, por assim dizer. A efuvisade do ponto de exclamação afasta quem prefere esconder-se na racionalidade. Ele às vezes anda por aí na companhia de sua irmã ponto de interrogação. Isso mesmo, irmã! &lt;br /&gt;Por que seria o ponto de interrogação uma mulher? Imergindo um tanto nas figurações poéticas, é possível ver a mulher como um dos símbolos bastante misterioso, senão o mais, não é verdade? O ponto de interrogação deve ter esse nome porque, convenhamos, ponta de interrogação não é um nome nada elegante para uma dama enigmática como ela. Sua forma sinuosa e atrante, como um móvel vitoriano, convida os mais atrevidos a decifra-la, não apenas a personalidade, mas também as curvas. O ponto de interrogação se resguarda a um canto, onde fuma calmamente uma cigarrilha. Observa o movimento na sala e de quando em quando lança olhares aos destraídos. Ah, o ponto de interrogação... Me diga, o ponto de interrogação não te atrai? Correlacionando ao que foi dito do ponto de exclamação, pode-se dizer que o ponto de interrogação dá voltas e voltas antes de chegar a um ponto.&lt;br /&gt;E em se falando de ponto, não esqueçamos de não um, mas vários: as reticências. Essas acompanham bem o ponto de interrogação. Diz o dicionário, cidade das palavras, que reticência é uma omissão intencional de algo que se poderia ou deveria ser dito. Reticências são sementes de dúvidas que o ponto de interrogação joga. As reticências não são pessoas. São pedras, destroços de pensamentos, destroços de vontades... Nos dias em que existe tanto a dizer, mas não energia suficiente para construir o que se diga, as reticências cumprem seu papel: três pontos desconexos por natureza. São suspiros, em que são exaladas as cinzas de idéias queimadas.&lt;br /&gt;E as crianças, o ponto e a vírgula, estão, claro, correndo por todo lugar. A vírgula, poderia-se dizer que é a filha do ponto de exclamação, já que é também bastante criativa. Gosta de falar em público; é daquelas crianças que gostam de mostrar as qualidades próprias. Entoa perfeitamente nos recitais da família, e tem preferência pelos poemas, e isso a difere do ponto, que quase nunca se exibe nos recitais. &lt;br /&gt;O ponto é uma criança introvertida, e é o queridinho daqueles que não gostam do ponto de exclamação. Vive com a cara em livros de todo tipo, mas prefere livros didáticos e manuais. Às vezes, quando distraído brincando com a vírgula, forma combinações interessantes como o ponto e vírgula; os simpáticos pelo bom estilo de escrita vêem aí um ótimo recurso. &lt;br /&gt;De tanto se retrair, o ponto não é de considerar muito a opinião dos outros, o que faz com que ele seja teimoso e não queira sair antes de conhecer tudo à última palavra. E nem teime contra ele em relação a isso, a palavra final pertence-lhe.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421017557762351251-8285026561272976920?l=baixofalante.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baixofalante.blogspot.com/feeds/8285026561272976920/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421017557762351251&amp;postID=8285026561272976920&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421017557762351251/posts/default/8285026561272976920'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421017557762351251/posts/default/8285026561272976920'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baixofalante.blogspot.com/2008/06/ponteando.html' title='Ponteando'/><author><name>Borges Júnior</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07876661105047439149</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421017557762351251.post-303271616663691377</id><published>2008-04-26T19:47:00.000-07:00</published><updated>2008-05-26T10:15:36.851-07:00</updated><title type='text'>Meias-Noites</title><content type='html'>Levantou no meio da noite e sentou-se no canto do sofá da sala de estar, depois ter se revirado de todas as formas possíveis em sua cama, e tentado fingir para si mesmo que dormia. Consultou o relógio e constatou que já eram quatro e quarenta, e a senhorita insônia não aparentava querer ir embora ainda. &lt;br /&gt;Ainda no escuro, tateou em busca do controle da TV. Ao encontrá-lo, porém, desfez-se da idéia de assistir a alguma coisa. Aquela escuridão de certa forma era confortável. Recostou a nunca no sofá e olhou pela janela, observando a ausência de nuvens no céu, que já começava a atenuar suas cores em algum lugar no leste.&lt;br /&gt;Incrível, nenhuma nuvem. Só céu, céu para todos os lados. Não gostava disso, parecia uma tela em branco. Foi até a janela e se projetou um pouco para fora, e verificou que não havia mesmo nada no céu, nem as estrelas. A lua minguante reinava suprema.&lt;br /&gt;De tanto procurar por nuvens - ou um raio, um ovni, um avião, qualquer coisa - e não ter tido sucesso nas suas tentativas, tentou procurar uma razão para aquilo. Mas foi arroubado por uma outra percepção: percebeu então que não gostava daquele momento da noite, as horas mais altas. Era o nascimento silencioso de um novo dia, e os nascimentos, como se sabe, não são silenciosos. São barulhentos, vida barulhenta. Choro e tudo mais. Portanto um dia nascer assim, sem nuvem alguma, sem barulho nenhum, e o que é pior, com as estrelas todas apagadas; nada disso fazia sentido.&lt;br /&gt;Esse fluxo de pensamentos levou-o a uma idéia que parecia estar latente em na sua mente: resolveu que a indiferença que todos sentem pelas horas da noite morreria nele ali mesmo. De agora em diante não gostaria mais das altas horas da noite. Apenas o início lhe bastava. &lt;br /&gt;Sorriu com a idéia; aquilo o alegrou mais do que esperava. Olhou para trás, como se buscasse a aprovação de alguma pessoa imaginária que acompanhava tudo o que ele pensava.&lt;br /&gt;Voltou para o quarto bastante empolgado e sutilmente acordou a América, que há pouco havia deitado: trabalhava como secretária de uma daquelas empresas do Distrito Industrial que funcionam realmente no turno da noite para madrugada.&lt;br /&gt;- América, acorda, tenho uma proposta boa pra te fazer!&lt;br /&gt;- O quê? - perguntou América de olhos ainda fechados; seu tom de voz ainda estava desanimado e grave. Nada combinaria melhor com ela.&lt;br /&gt;- Vamos dividir a noite entre nós.&lt;br /&gt;Explicou então tudo o que havia pensado, e América, apesar de cansada e de manter os olhos fechados, ouvia tudo com atenção. Gostava das idéias dele. E ele sabia que ela prestava atenção. Falou da insônia, das nuvens, do céu e da lua. Combinaram então que ele ficaria com a noite que ia até às doze horas, e ela, desse ponto em diante.&lt;br /&gt;América, que agora estava sentada ao lado dele, coçando os punhos adormecidos, aceitou de bom grado a sua meia-noite. Mais desperta, falou com a voz ainda um pouco arenosa e lenta:&lt;br /&gt;- Que bom então que eu fico com a parte mais calma da noite. A tela em branco me parece servir pra imaginar bastante coisas. Ah, já que tu falou nisso das nuvens, vou te falar: quando eu tava voltando pra cá, tinha uma única nuvem no céu. Bem pálida, ela; destacava demais. Ela era fina e contorcida. Ninguém me tira da cabeça que aquilo era um dragão. Lá no alto. Talvez estivesse se contorcendo de frio. - e ao dizer isso, bocejou. Não estava irritada por ter acordado.&lt;br /&gt;- Eu prefiro olhar o que já vem pintado na tela. Aliás, prefiro olhar as cores. E as nuvens também, tem bastante quando o sol se põe. - Ele começou a brincar com os botões do controle, o qual ainda segurava na mão esquerda.&lt;br /&gt;- Então eu fico com o nascer do sol e tu fica com o sol poente. Vamos então ver o meu primeiro nascer do sol.&lt;br /&gt;América segurou a mão dele e foram ambos para o sofá da sala. Era o lugar preferido dentre as poucas opções que tinham naquele pequeno apartamento. &lt;br /&gt;Agora os ponteiros fosforescentes do relógio acima da tv anunciava as cinco e doze da manhã. A escuridão já se dissolvera quase totalmente, deixando apenas um leve véu cinza na vista do casal. &lt;br /&gt;Esperaram calados até que a claridade os envolvesse de vez. Até que América apontou:&lt;br /&gt;- Olha, o dragão tá lá embaixo agora. Foi se aquecer no sol.&lt;br /&gt;Ele limitou a sorrir. Até que a segunda meia-noite não era tão ruim assim. &lt;br /&gt;Ficaram parados, os dois na janela. Ele ainda teimando em procurar algo no céu, ela acompanhando o dragão.&lt;br /&gt;Quando o sol mostrou-se inteiramente acima do horizonte, ela perguntou:&lt;br /&gt;- E o dia, o que faremos com ele?&lt;br /&gt;- Claro que vamos dormir.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421017557762351251-303271616663691377?l=baixofalante.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baixofalante.blogspot.com/feeds/303271616663691377/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421017557762351251&amp;postID=303271616663691377&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421017557762351251/posts/default/303271616663691377'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421017557762351251/posts/default/303271616663691377'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baixofalante.blogspot.com/2008/04/meias-noites.html' title='Meias-Noites'/><author><name>Borges Júnior</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07876661105047439149</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421017557762351251.post-9116042447930413804</id><published>2008-03-20T20:20:00.000-07:00</published><updated>2008-06-14T20:46:29.552-07:00</updated><title type='text'>É assim</title><content type='html'>Nariz de clave de fá&lt;br /&gt;Sono de relva ao vento&lt;br /&gt;Cabelos de selva tropical&lt;br /&gt;Risos de presente de natal&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voz de violão náilon&lt;br /&gt;Desculpas de cinco versos&lt;br /&gt;Olhos de sol nascente&lt;br /&gt;Suspiro de arco do violoncelo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dedos de poleiros de beija-flores&lt;br /&gt;História de tempestade de janeiro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Choro de tinta de Monet&lt;br /&gt;Abraço de torvelinho&lt;br /&gt;Sopro de sereno no capim&lt;br /&gt;Queixo de passarinho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sorriso de cordilheiras&lt;br /&gt;Pele de tempo perdido&lt;br /&gt;Perninhas de argila molhada&lt;br /&gt;Andar de borboleta mornaca&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421017557762351251-9116042447930413804?l=baixofalante.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baixofalante.blogspot.com/feeds/9116042447930413804/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421017557762351251&amp;postID=9116042447930413804&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421017557762351251/posts/default/9116042447930413804'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421017557762351251/posts/default/9116042447930413804'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baixofalante.blogspot.com/2008/03/assim.html' title='É assim'/><author><name>Borges Júnior</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07876661105047439149</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421017557762351251.post-2139559315203752895</id><published>2008-02-23T21:17:00.000-08:00</published><updated>2008-03-03T17:40:26.304-08:00</updated><title type='text'>Retrato em cores</title><content type='html'>Dois pontos             &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando eu te convidava pra pizzaria&lt;br /&gt; e tu me dizia que era lugar de idosos e casais com crianças barulhentas&lt;br /&gt;  embora tu sempre aceitasse a um segundo convite&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Quando tu treinava comigo as apresentações dos trabalhos da faculdade&lt;br /&gt; mesmo sabendo que o real motivo de eu estar ali&lt;br /&gt;            era o lanche que a tua mãe preparava&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                E que falando nela, &lt;br /&gt;                        tu gostava de me deixar sem graça na presença dela&lt;br /&gt;        falando de como eu achava o sotaque dela engraçado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Quando te ensinei a dirigir, e tu estancava o carro &lt;br /&gt;sempre que eu dizia "não olha pra marcha"&lt;br /&gt;   e me reclamava que ficasse calado, e eu replicava que tu era telepática&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;             Eu acariciava os polegares nas tuas sobrancelhas&lt;br /&gt; e tu ria sem motivo nenhum, &lt;br /&gt;        porque na sobrancelha ninguém tem cócegas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  E te ensinei a tocar o violão, &lt;br /&gt;                                 e gostava de ajeitar a posição dos teus dedos&lt;br /&gt;                              e tinha até pena de vê-los marcados pelas cordas&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;                               Achei graça até quando tu resolveu banhar na chuva&lt;br /&gt; e passou a semana seguinte gripada&lt;br /&gt;                mas pelo menos eu gostei, tu me disse&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando eu reclamava que a água era gelada demais para me barbear&lt;br /&gt;  e não sei de onde tu veio com um balde de água mais gelada&lt;br /&gt;                e me molhou, e achei aquilo desconfortável, mas fantástico&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         E de tanto me ouvir cantar músicas do Jobim&lt;br /&gt;                         passou a gostar dele também&lt;br /&gt;                     e deixou de achar os peixinhos a nadar no mar ridículos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E me cobrava tanto e tantas cartas de amor&lt;br /&gt;   no que eu dizia que a inspiração não tinha hora&lt;br /&gt;e eu achava minha resposta tão ridícula quanto os peixinhos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      Sem falar na minha foto três por quatro que tu mantinha na carteira&lt;br /&gt;           e eu nunca entendi por que guardar algo tão sem sal&lt;br /&gt; que me lembrava formulários ou filas de banco&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                              E hoje onde estou sem eiras, e cheio de beiras&lt;br /&gt; Recorro ao retrato de nós dois e um desconhecido que me cobriu a metade&lt;br /&gt;                                   Feito no dia em que te conheci&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; No dia que o sol me pareceu ter brilhado um pouquinho mais&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421017557762351251-2139559315203752895?l=baixofalante.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baixofalante.blogspot.com/feeds/2139559315203752895/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421017557762351251&amp;postID=2139559315203752895&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421017557762351251/posts/default/2139559315203752895'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421017557762351251/posts/default/2139559315203752895'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baixofalante.blogspot.com/2008/02/retrato-em-cores.html' title='Retrato em cores'/><author><name>Borges Júnior</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07876661105047439149</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421017557762351251.post-2544569423371750019</id><published>2008-02-10T11:00:00.000-08:00</published><updated>2008-02-10T11:02:18.946-08:00</updated><title type='text'>A longa viagem (ou A morte das borboletas)</title><content type='html'>O sol incendeia o céu enquanto cortamos a estrada ao meio-dia rumo à cidade de Santa Inês. A vegetação marginal à estrava mostra seu fulgor decorrente da época de chuva que o início de cada ano propicia, e assim, toda a vida inicia o ano com plenitude, logo que as sementes vindas com as chuvas são germinadas.&lt;br /&gt;Lagartos, formigas, palmeiras, pássaros, flores. &lt;br /&gt;No calor do meio-dia vinham as borboletas provindas do capim, e atravessavam a estrada a todo instante, num belo espetáculo. Celebram o vento, o néctar, o sol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim morrem no pára-brisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há de se pensar que elas não deveriam morrer, acabar uma cena tão vistosa assim, com mortes sem sentido, inesperadas. No pára-brisa, toda a poesia se esvai. Pára-brisas não podem entrar de jeito nenhum em qualquer expressão artística.&lt;br /&gt;E tal espetáculo, como fica? Pra quê então chuva? O que fazer parar acabar com isso? O carro não pode parar, a viagem urge para que cheguemos logo ao destino. O que nos resta a fazer, nós, que estamos vivos, é simplesmente se conformar e limpar o pára-brisa, e aguardar as próximas borboletas, num ciclo contínuo, até que cheguemos ao fim da longa viagem que é a de São Luís e Santa Inês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Júnior, te arruma, teu oitavo irmão morreu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há de se pensar que ele não deveria morrer, acabar uma trajetória tão vistosa assim, com uma morte sem sentido, inesperada. Em Santa Inês, toda a poesia se esvai. Não me ocorre nenhum poema ou conto situado na cidade, ou mesmo que a mencione.&lt;br /&gt;E como nós ficamos? Pra quê então tanta lágrima? O que fazer parar acabar com isso? Ninguém pode parar, e a vida urge para que cheguemos logo ao destino. O que nos resta a fazer, nós, que estamos vivos, é simplesmente se conformar e enxugar as lágrimas, e aguardar que as sementes deixadas brotem, num ciclo contínuo, até que cheguemos ao fim da longa viagem que é a vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421017557762351251-2544569423371750019?l=baixofalante.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baixofalante.blogspot.com/feeds/2544569423371750019/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421017557762351251&amp;postID=2544569423371750019&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421017557762351251/posts/default/2544569423371750019'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421017557762351251/posts/default/2544569423371750019'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baixofalante.blogspot.com/2008/02/longa-viagem-ou-morte-das-borboletas.html' title='A longa viagem (ou A morte das borboletas)'/><author><name>Borges Júnior</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07876661105047439149</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421017557762351251.post-3612889116429320499</id><published>2008-01-21T18:31:00.000-08:00</published><updated>2008-01-21T18:33:04.906-08:00</updated><title type='text'>Sete e vinte e cinco</title><content type='html'>Em uma dessas tantas ruas do centro de São Luís que desembocam em escadarias incansáveis, andava eu acompanhado de meu primo rumo a uma marcenaria para que o cavalete onde meu pai pinta suas telas fosse consertado. Para acelerar o tempo e nossos passos, conversávamos sobre diversos assuntos, e na altura em que debatíamos sobre a necessidade do uso de lâmpadas incandescentes nos postes tradicionais das ruas por onde passávamos, um sujeito que observava o movimento da rua lançou-me:&lt;br /&gt;- Tem as horas aí, pai?&lt;br /&gt;Respondi as devidas horas, e no desconectar da conversa que mantinha com meu primo, observei uma senhora que parecia dormir sentada ao lado de sua banca de ervas e condimentos na calçada oposta à qual estávamos. O sujeito das horas, reparando minha súbita e tênue consternação, respondeu à pergunta que eu ainda não havia formulado:&lt;br /&gt;- É uma feiticeira.&lt;br /&gt;Achando aquilo muito interessante, meu primo parou e quis saber mais. Fiquei um tanto irresoluto, mas acabei descansando o cavalete na parede, ao lado de onde o sujeito - julguei que vigiava os carros estacionados -, também estava enconstado. Meu primo perguntou se ele a conhecia. Ele não conhecia, mas disse que o pai dele sempre o advertiu para que não mexesse com ela, caso contrário ela o transformaria em toco de árvore, como o pai mesmo já havia visto acontecer com duas crianças, na sua juventude. Tendo dito isso, explicou que niguém sabia a idade dela, e que ela sempre mateve a mesma aparência, desde os tempos das advertências do seu pai. O próprio sujeito das horas afirmou ter encontrado, certa vez enquanto voltava para casa, três tocos de árvores enfileirados, em um local onde nunca houvera árvores.&lt;br /&gt;Meu primo se empolgou bastante com isso, e mantinha a conversa empolgada com o vigia, o qual não parecia nem um pouco incomodado com isso, visto que a iniciou sem ter sido solicitado. Eu comecei a prestar atenção na senhora enquanto ouvia a conversa dos dois. Ela tinha a pele um tanto enrugada e sombreada por causa do sol, e usava um lenço comprido que cobria-lhe os cabelos. Tinha as unhas pintadas de uma cor escura que não pude distinguir, e usava uma esparsa saia estampada além de sandálias rasteiras. Estava dormindo com as mãos cruzadas sobre as pernas, como se esperasse a resposta de alguma pergunta intimidadora.&lt;br /&gt;Apesar disso, não vi nada muito anormal nela; se eu precisasse algum dia de um punhado de cominho, não hesitaria em comprar com ela.&lt;br /&gt;- Tá vendo aquele lenço ali? É pra esconder os chifres dela.&lt;br /&gt;Virei pro sujeito só pra ver a cara dele quando disse isso, e ele, percebendo que ganhou minha atenção, continuou:&lt;br /&gt;- Eu não sei, mas me disseram que ela vira bicho também. É o que nego fala por aí, mas olha que eu não duvido não...&lt;br /&gt;Fiquei pensando como é que as pessoas podem criar uma imagem tão bestial de uma senhora tão... normal. É, normal como ela. Iria me enconstar junto ao vigia na parede, mas meu pé bateu no cavalete, o que me lembrou do dever a cumprir. Chamei meu primo e nos despedimos do guia cultural no qual o sujeito das horas se transformou. Olhei mais uma última vez para a senhora a fim de satisfazer meu inconsciente desejo de querer saber mais sobre ela.&lt;br /&gt;Feito isso, continuamos até chegarmos na marcenaria, onde fomos recepcionados pelos dois marceneiros que ali trabalhavam, e que nos informaram que estavam no horário do almoço. Então lembrei que já passava do meio-dia, e que eu também devia almoçar. Deixamos então o cavalete lá para buscar no outro dia, e fomos eu e meu primo almoçar num bar ali perto que servia refeições preparadas na hora. &lt;br /&gt;Tendo almoçado e feito a sesta em um banco de praça, decidimos voltar logo para casa e avisar ao pai que o cavalete só ficaria pronto no dia seguinte. Por uma sugestão que mais parecia ordem de meu primo, voltamos por onde viemos. Não me dei ao trabalho de divagar o porquê, estando este tão estampado no rosto dele. Assim, percorremos o caminho desta vez mais rápido, pois como se sabe, a volta é sempre mais ligeira que a ida, ainda mais quando não se sabe pra onde se vai.&lt;br /&gt;Ao alcançarmos a calçada onde conversamos com o vigia de carros, notamos não um toco, mas um frondoso biribá na rua perpendicular à que estávamos, e isso foi espantoso, pois tínhamos uma certeza - que se revelou míope - de não haver árvore nenhuma ali antes.&lt;br /&gt;Meu primo muito observador e curioso, depois de soltar - para que não citemos os palavrões - cinco interjeições de surpresa, denotou uma anormalidade apontando para os frutos da árvore, e estes não eram amarelos como deveriam ser, mas arroxeados como beterrabas. As pontas sobressalentes dos frutos naquela cor lembraram-me das unhas da senhora, e ao me virar para verificar se ainda estava no mesmo lugar, não havia nem ela nem sua banca na calçada agora coberta pela sombra dos sobrados que margeavam a rua. Confesso por uns minutos me assustei, e até senti um leve arrepio na nuca. Mas minha razão dizia que era apenas uma árvore que não tínhamos notado antes, no ínterim da história com o sujeito das horas. Expliquei isso ao meu primo para que parasse de repetir a cada segundo que a história era verdadeira, o que não adiantou muito. Falei para que continuássemos o caminho rumo à nossa casa, o que fizemos em seguida.&lt;br /&gt;Um pássaro furtivo nos apareceu enquanto descíamos uma ladeira que desemboca frente ao terminal de ônibus da Beira-Mar e se pôs a nos seguir.&lt;br /&gt;- Mas que porra é essa?&lt;br /&gt;Claro que foi o meu primo o autor da frase, dita enquanto enxotava o pássaro a pedradas, até que finalmente conseguiu fazê-lo voar a sumir de vista. O pássaro se foi, mas assim como eu já havia pensado na hora do almoço - "a cada esquina, uma surpresa" -, ao chegarmos na rua principal que é cortada pela ladeira, deparamos novamente com a senhora feiticeira na mesma posição, porém usando um lenço agora roxo na cabeça. Sem abrir os olhos, nos ofereceu cominho,&lt;br /&gt;- Ei&lt;br /&gt;ao passo que eu, depois de hesitar uns quinze segundos, respondi que não e agradeci, e imediatamente, junto ao meu primo, andei o mais rápido que pude para a avenida onde o Terminal&lt;br /&gt;- ... atrasado!&lt;br /&gt;se localiza, quando encontramos novament&lt;br /&gt;- Não te chamo&lt;br /&gt;e com o sujeito das horas rindo desesperadamente de nós, o que nos deixou tão confusos a ponto de parar nossa correria. Meu primo soltou novamente sua célebre pergun&lt;br /&gt;- 7:25&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caralho, já são sete e vinte e cinco!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421017557762351251-3612889116429320499?l=baixofalante.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baixofalante.blogspot.com/feeds/3612889116429320499/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421017557762351251&amp;postID=3612889116429320499&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421017557762351251/posts/default/3612889116429320499'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421017557762351251/posts/default/3612889116429320499'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baixofalante.blogspot.com/2008/01/sete-e-vinte-e-cinco.html' title='Sete e vinte e cinco'/><author><name>Borges Júnior</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07876661105047439149</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421017557762351251.post-3833206044754634206</id><published>2007-12-23T19:19:00.000-08:00</published><updated>2007-12-23T19:21:06.491-08:00</updated><title type='text'>A lua, a chuva e o elefante</title><content type='html'>Mas para ele, quando era necessário entrar nalgum cômodo do coração dela, parecia-lhe que era como andar na mata em noite de lua cheia. A lua era como o sol no céu desnudo de nuvens, tornando tudo disponível aos olhos, mas ainda assim, cobrindo os contornos da paisagem com cinzas e azuis fantasmagóricos e desvívidos. &lt;br /&gt;As folhas das palmeiras gentilmente cumprimentavam-se enquanto ele passava pela trilha de areia batida que parecia brilhar à desmaiada luz da lua.&lt;br /&gt;Caminhava, não com medo, mas com receio e ainda curiosidade, quando ouvia o farfalhar das borboletas noturnas, festejando silenciosamente o vento que as carregava. Confudiam-se às estrelas no céu que iam e vinham no calor morno das noites de agosto. &lt;br /&gt;O calor que habitava no coração causava chuvas convectivas, que eram bem-vindas aos seres e inânimes daquela terra. &lt;br /&gt;A chuva refrescava o suor insone de um solitário e imóvel elefante que descansava no descampado; o elefante fechava os olhos para protegê-los da chuva, e vez ou outra mexia uma das orelhas. Parecia sorrir. &lt;br /&gt;Era até ali uma das mais belas cenas que havia visto na vida.&lt;br /&gt;Toda aquela água ressonava ao bater na superfície do mar, que espumava brumas que amaciavam o solo do coração, enchendo o ambiente da tranquilidade igual ao sono das águas-vivas .&lt;br /&gt;O coração parecia-lhe às vezes uma ilha ou uma sala, em que ela o convidava para apreciar as constelações do hemisfério sul, ou ainda para afogar as pernas no mar, enquanto contavam fábulas um ao outro, vigiados pela lua, pela chuva, e pelo elefante.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421017557762351251-3833206044754634206?l=baixofalante.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baixofalante.blogspot.com/feeds/3833206044754634206/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421017557762351251&amp;postID=3833206044754634206&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421017557762351251/posts/default/3833206044754634206'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421017557762351251/posts/default/3833206044754634206'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baixofalante.blogspot.com/2007/12/lua-chuva-e-o-elefante.html' title='A lua, a chuva e o elefante'/><author><name>Borges Júnior</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07876661105047439149</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421017557762351251.post-1840640047446837145</id><published>2007-12-04T19:48:00.001-08:00</published><updated>2008-02-10T19:45:59.676-08:00</updated><title type='text'>Prelúdio em Dó Maior</title><content type='html'>- Lá me vem tu com essa conversa de novo, Daniela! &lt;br /&gt;Eu sei que ela prefere - e até eu prefiro - chamá-la por Dani, mas fazer o quê, escapuliu.&lt;br /&gt;Ela me olha meio desconfiada por isso, se cala um pouco, e vira o rosto pra janela do carro. Eu continuo dirigindo e prestando atenção aos buracos da rua. Quando começo a pensar - não, nem isso! Quando começo a pensar em pensar, ela me corta:&lt;br /&gt;- "Nhé nhé nhé de novo, Daniela!" - e me imita de um jeito que eu só teria falado se tivesse me faltando mais da metade dos dentes na boca. Olho pra ela e solto um riso, e também reparo que alguns fios do cabelo dela estão mais curtos. Será por causa do penteado ou ela cortou mesmo? Vamos saber, né:&lt;br /&gt;- Tu aparou teu cabelo?&lt;br /&gt;Não termino de articular "lo" do "cabelo" quando ela já me corta de novo:&lt;br /&gt;- Nossa, - me diz bem séria, me apontando o indicador que estava antes descansado dentre os braços cruzados - engraçado tu ter reparado isso quando ele já tá quase do tamanho de antes! &lt;br /&gt;E volta a cruzar os braços. Não preciso dizer que não teve nada de ameaçador na cena. Eu e ela sabemos disso. Dani gosta desses teatrinhos. Eu também.&lt;br /&gt;- Fazer o quê, se eu tenho visão Thundercat... (Essa eu aprendi com meu professor de química).&lt;br /&gt;Ela se dana a rir e me dá um tapa de leve; poderiam dizer que foi carinhoso, mas eu tenho minhas dúvidas. &lt;br /&gt;Tô brincando, tô brincando.&lt;br /&gt;Volto a vista para a via mais uma vez ("Vozes veladas, veludosas vozes" haha), e mudo a música do CD. Isso tem que ter uma trilha sonora, nada mais natural.&lt;br /&gt;Ao som da música, pensei: Daniela, daniela, quem eu já conheci por dani, e me esquecia sempre se terminava em "A" ou "E". Depois da terceira noite, ou melhor, a Terceira Noite, minha dúvida foi embora. Entendeu o motivo das letras maiúsculas, né?&lt;br /&gt;Pois é. Na época que eu perambulava em sonhos doidos e talvez inalcançáveis, Dani me puxou os pés e disse "Tô bem aqui!" Nossa...&lt;br /&gt;Ela sou eu, sabe? Minha versão telúrica, com uma bela pele e sorriso. Vive falando besteira, e é muito inteligente. E fala tanto que dá bom-dia até pra cavalo, como diria minha mãe. Eu gosto de atentar ela, gosto mesmo. E além do mais,&lt;br /&gt;- Continua falando, Tio Cabeça! - Me chama que nem minha sobrinha de dois anos diz. Já disse que ela fala demais? Concluo que ela puxa meus pés mais uma vez à Terra.&lt;br /&gt;Sorrio e aperto a ponta do nariz dela com a palma da minha mão. &lt;br /&gt;- Tua cara. - respondo sorrindo. - Mas me diz, o que eu digo? Pera, já sei: me diz... ah, forçando assim não sei! Finge aí que tu não perguntou nada.&lt;br /&gt;- Tá bom. - ela entra no jogo. Aí já gosta de uma brincadeira...&lt;br /&gt;Quatro ou cinco segundos depois, lembro de um assunto. Ergo o dedo, e digo com uma boa impostação:&lt;br /&gt;- Lá me vem tu com essa conversa de novo, Daniela!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421017557762351251-1840640047446837145?l=baixofalante.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baixofalante.blogspot.com/feeds/1840640047446837145/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421017557762351251&amp;postID=1840640047446837145&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421017557762351251/posts/default/1840640047446837145'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421017557762351251/posts/default/1840640047446837145'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baixofalante.blogspot.com/2007/12/preldio-em-d-maior.html' title='Prelúdio em Dó Maior'/><author><name>Borges Júnior</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07876661105047439149</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421017557762351251.post-5069763688172239575</id><published>2007-12-03T18:28:00.000-08:00</published><updated>2007-12-03T18:33:27.546-08:00</updated><title type='text'>Mais um conto simbólico</title><content type='html'>O Marcelo era um garoto azul, como algumas divindades hindus. Azul daquele jeito. E por mais estranho que isso soe, e realmente seja, poucos reparavam que ele era azul. Perceber, todos percebiam, como se percebe que alguém é vesgo ou manca levemente um pé. Mas poucos realmente prestavam atenção à sua cor. &lt;br /&gt;Marcelo tem uma vida social normal, e às vezes congue ficar até da cor das outras pessoas, e ser mais normal ainda. Mais normal. O "normal" de todo mundo, claro. Marcelo sabe que não se pode viver isolado de toda essa gente, e nem faz questão de tal. Gosta de estar entre os outros, os que são diferente dele, na verdade quem é diferente é o Marcelo, mas ele não liga pra isso. Não quando está em outra cor.&lt;br /&gt;Mas quando é azul, Marcelo se isola, e gosta disso. E se põe a pensar sobre tudo, e a escolher as matizes de seus raciocínios e idéias. Menos dos sentimentos. Estes não têm cor nenhuma para Marcelo. Nem mesmo preto ou branco. Ele tenta entender o porquê disso, mas não consegue, não consegue mesmo.&lt;br /&gt;Ah, o Marcelo ganhou óculos no início da infância. Mas ele tem a vista boa, em qualquer cor que esteja sua pele. Ele tentou usá-los para tentar ver as matizes dos sentimentos, mas não resultou em nada. Também nunca o jogou fora, sabe que vai precisar dele. Na verdade, trata os óculos com o maior zelo, como se realmente tivessem importância, mas não têm. Às vezes tem vontade de jogá-los fora, mas sempre acha melhor não. Devia vir com um manual de instruções. Aí sim ele veria todas as matizes, e saberia usar os tais óculos. &lt;br /&gt;Marcelo, quando está entre azul e qualquer outra cor, pergunta para os míopes como usar os óculos. Aprendeu tudo, mas não consegue aplicar à pratica. Sabe das distâncias focais, espessura, grau da concavidade, e tudo mais. Sabe até mais de quem usa os óculos. Mas Marcelo, não. Marcelo nunca entendeu e incorporou seus óculos.&lt;br /&gt;Esse é o Marcelo, pele azul e com óculos inúteis nas mãos.&lt;br /&gt;Desenhá-lo seria fácil. Seria preciso só fazer um rosto triste e pintar de azul.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421017557762351251-5069763688172239575?l=baixofalante.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baixofalante.blogspot.com/feeds/5069763688172239575/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421017557762351251&amp;postID=5069763688172239575&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421017557762351251/posts/default/5069763688172239575'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421017557762351251/posts/default/5069763688172239575'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baixofalante.blogspot.com/2007/12/mais-um-conto-simblico.html' title='Mais um conto simbólico'/><author><name>Borges Júnior</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07876661105047439149</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421017557762351251.post-12919864777952825</id><published>2007-11-14T22:19:00.000-08:00</published><updated>2008-01-21T18:37:50.481-08:00</updated><title type='text'>O subconsciente</title><content type='html'>O sujeito do andar de cima está arrastando os móveis mais uma vez. Acho que já devem ser umas onze da noite, mas ele insiste em manter esse hábito de arrumar, creio eu, a sala nesse horário, toda quinta-feira. &lt;br /&gt;Deve morar sozinho, como eu. Penso se ele também prepara apenas pratos refinados, como eu faço. Jantares e almoços solitários que não são refinados por vontade, mas por necessidade - os editores deveriam saber que algumas pessoas que compram revistas de culinária querem saber apenas comida básica para o dia-a-dia, e não risoto de macarrão ao molho búlgaro.&lt;br /&gt;Ao andar de cima, poucos vão, eu mesmo fui raras vezes. A vista de lá permite ver o que não é visto dos outros andares. O parque atrás do estacionamento, onde casais bricam no meio da noite; na rua se vê meninos roubando bolsas de executivos, valises de crianças e doces de senhoras, dentre outros crimes que ninguém observa; a mulher quem realmente amo, apenas a vejo passar quando estou porventura no andar de cima, nunca no meu.&lt;br /&gt;O sujeito do andar de cima me engana sempre que o vejo, faz um gesto tão sutil que nunca chego à conclusão se é um cumprimento ou apenas minha imaginação. Tem minha idade, mas não cuida da aparência. Pudera, nunca o vi fora do prédio, nem saindo, nem entrando. Apesar da aparência envelhecida, ele tem minha idade, e isso é uma certeza que me foi embutida desde a primeira vez que o vi.&lt;br /&gt;Ele continua a arrastar os móveis, e já são onze e quarenta e cinco. Mas ele arrasta os móveis nalguma melodia estranha. Alguma melodia fora do nosso sistema musical. O ritmo é bem marcado, e fato esse que fico com sono quase toda onze da noite de quinta-feira, o que quer que eu esteja fazendo. Às vezes penso se não é um ensaio, ou que ele talvez seja um inventor de instrumentos musicais. As paredes do meu apartamento ressoam em uma frequência silenciosa e confortável, e lá no térreo as crianças bricam com os pingos metálicos que caem do andar de cima. Riem bastante, misturando as risadas com o vago som de cítara das paredes. &lt;br /&gt;A quinta-feira dura até a meia-noite, e tudo acaba assim que o primeiro minuto da sexta-feira se exibe nos relógios. Então, ligo a televisão e me pergunto se o sujeito do andar de cima também está assistindo ao canal de culinária, ou algum programa de bricolagem. Sabe, quem mora só precisa assistir a essas coisas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421017557762351251-12919864777952825?l=baixofalante.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baixofalante.blogspot.com/feeds/12919864777952825/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421017557762351251&amp;postID=12919864777952825&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421017557762351251/posts/default/12919864777952825'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421017557762351251/posts/default/12919864777952825'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baixofalante.blogspot.com/2007/11/o-subconsciente.html' title='O subconsciente'/><author><name>Borges Júnior</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07876661105047439149</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421017557762351251.post-5030038141190962633</id><published>2007-11-14T21:38:00.000-08:00</published><updated>2007-11-14T21:41:19.433-08:00</updated><title type='text'>Um parágrafo</title><content type='html'>Tu foste uma das coisas mais reconfortantes que eu pude ver naquela noite. De tão parada que tu estavas, enquanto todos seguiam as músicas, chamou minha atenção. Polegares enfiados nos bolsos da calça enquanto olhava às vezes para o palco, às vezes para o lado; cabelos presos num rabo-de-cavalo; e vez ou outra descansava os pés apoiando-se nas laterais deles. Além do mais, tu era a única ímpar no teu grupo de amigas (o que te incomodou um tanto), que estavam todas acompanhadas dos namorados - e que reclamavam também do fato de estares tão alheia ali onde todos se divertiam tanto. Mas eu te entendo, endendo sim. Entendi até a mania de puxar um pouco o lábio inferior com o polegar e o indicador, e que tu deixaste escapar e pensou que não houvesse ninguém vendo. "A menina como uma flor", isso ia e vinha na minha cabeça. Eu estava ali vendo e aquecendo a alma nos teus modos. E também não deixei de notar quando todos levantaram as mãos e aplaudiram, tu foste a única permaneceu com os polegares no bolso. Eu não deveria estar escrevendo isso, mas estou, e te confesso que desde de aquela hora minha vontade era de ir embora dali e alcançar o caderno e lápis mais próximos para te jogar nessas linhas, apenas isso, te guardar nessas linhas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421017557762351251-5030038141190962633?l=baixofalante.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baixofalante.blogspot.com/feeds/5030038141190962633/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421017557762351251&amp;postID=5030038141190962633&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421017557762351251/posts/default/5030038141190962633'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421017557762351251/posts/default/5030038141190962633'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baixofalante.blogspot.com/2007/11/um-pargrafo.html' title='Um parágrafo'/><author><name>Borges Júnior</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07876661105047439149</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421017557762351251.post-2485871084789323626</id><published>2007-11-06T18:03:00.001-08:00</published><updated>2007-11-06T18:03:53.448-08:00</updated><title type='text'>As argolas que só eu reparei</title><content type='html'>Sétima série, era hora do intervalo. Lá estava você, extraordinariamente linda. Lá estava eu, pensando se isso poderia ser possível. &lt;br /&gt;Engraçado, naquele dia eu não tinha te visto lá lanchonete onde tu sempre aguardava o começo das aulas. A Camila faltou? Aquele dia de aula seria apenas um dia de aula se tu tivesses faltado, e realmente foi, até a hora do intervalo. &lt;br /&gt;Só que agora era hora do intervalo, e eu estava na sétima série, assim com você. E eu não sei se sou atrasado pra essas coisas, mas tu foste meu primeiro amor. Ali, na altura da sétima série. Naquele dia da sétima série, naquele intervalo da sétima série. &lt;br /&gt;E agora? Eu tinha que passar na tua frente. O caminho para o pátio estava adornado pela bela estátua de Camila. &lt;br /&gt;Não sei o que tinha acontecido, mas naquela época a gente já não se falava mais. Eu e meu magnífico dom de puir minhas relações mais importantes e construir perfeitos casos mal-acabados. &lt;br /&gt;E lá tu estavas no corredor e - meu Deus -, como aquela gente toda conseguia passar sem reparar em ti? Naquele dia tu usavas brincos de argola, e o cabelo preso. Eu nunca tinha te visto daquele jeito, usando aquelas argolas que só eu reparei. &lt;br /&gt;E esse caso mal-acabado me deixava sem saber como agir. Eu queria passar como mais um daqueles alunos que passavam como se fosse um dia qualquer em suas respectivas séries, e nem sabiam da tua existência. Só que eu sabia muito bem da tua existência, e aquele não era um dia qualquer na minha sétima série. &lt;br /&gt;Aquele meu dia não era mais um dia de aula. Era mais até que um dia normal. Era o dia em que eu te vi mais linda que sempre, o dia em que faz com que um primeiro amor seja memorável pelo resto da vida. &lt;br /&gt;O que eram aquelas argolas? Naquela época eu nem sabia que tinham esse nome, achei que aquelas coisas tinham sido criadas só pra Camila. Não sabia nem que depois de tanto tempo, elas continuariam me chamando a atenção inclusive nessa lembrança repentina de ti. &lt;br /&gt;Aliás, não lembro bem o que pensei ali. Acho que até esqueci de fazer isso no momento. Pensar pra quê, se tu estavas ali, ainda me olhando, brincando com minha timidez? &lt;br /&gt;Afinal, era um intervalo da sétima série, e na sétima série eu apenas esperava o futuro que não veio, assim como tu sempre esperavas as aulas naquela lanchonete.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421017557762351251-2485871084789323626?l=baixofalante.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baixofalante.blogspot.com/feeds/2485871084789323626/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421017557762351251&amp;postID=2485871084789323626&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421017557762351251/posts/default/2485871084789323626'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421017557762351251/posts/default/2485871084789323626'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baixofalante.blogspot.com/2007/11/as-argolas-que-s-eu-reparei.html' title='As argolas que só eu reparei'/><author><name>Borges Júnior</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07876661105047439149</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421017557762351251.post-9169505614670993485</id><published>2007-11-06T18:02:00.000-08:00</published><updated>2007-11-06T18:03:10.683-08:00</updated><title type='text'>Soneto do Amor Platônico</title><content type='html'>O amor soturno, sombra em temores &lt;br /&gt;Não sabes que resignas-te em vão &lt;br /&gt;Pelo anjo protetor que conforta noites &lt;br /&gt;E deseja tua serena iluminação &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se choras a solidão, o frio e o abandono &lt;br /&gt;Saiba que meus olhos procuram com fervor &lt;br /&gt;O sorriso onde aqueço meu outono &lt;br /&gt;Mas sequer sabes da existência desse amor &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um coração que se alegra com teu sorriso &lt;br /&gt;E se entristece com tuas lágrimas &lt;br /&gt;Nesse eterno espelho a refletir teu brilho &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma alma que sofre com duas feridas; &lt;br /&gt;De carregar a tristeza desse amor &lt;br /&gt;E por tu não saberes que és tão querida&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421017557762351251-9169505614670993485?l=baixofalante.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baixofalante.blogspot.com/feeds/9169505614670993485/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421017557762351251&amp;postID=9169505614670993485&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421017557762351251/posts/default/9169505614670993485'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421017557762351251/posts/default/9169505614670993485'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baixofalante.blogspot.com/2007/11/soneto-do-amor-platnico.html' title='Soneto do Amor Platônico'/><author><name>Borges Júnior</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07876661105047439149</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421017557762351251.post-8911620318636955311</id><published>2007-11-06T17:52:00.000-08:00</published><updated>2007-11-06T17:56:40.250-08:00</updated><title type='text'>O espelho</title><content type='html'>Eu estava sentado na calçada, descansando um pouco as pernas enquanto tomava mais um gole do refrigerante. Faltavam apenas umas poucas horas pro sol nascer novamente, e todo mundo buscava o caminho de casa. E sempre existem aqueles que mesmo após um show exaustivo procuram outro lugar pra se cansar mais ainda. Pra eles não se trata de canseira nenhuma, claro.&lt;br /&gt;Enfim, sentei-me na calçada e reparei que tinha a moça mais linda sentada ao meu lado, mas não tão perto que alguém nos visse e julgasse que fazíamos companhia um ao outro. Não tentei, e nem tive a intenção de me aproximar dela. Admirá-la já me satisfazia naquele momento. E que fique claro que minha admiração se resumia a poucos olhares furtivos que desviavam dela, caso fossem descobertos.&lt;br /&gt;Nisso, veio um rapaz e sentou-se próximo a ela. Não disse "oi" nem nada, ela tampouco. Mas percebia-se que eram conhecidos. Depois de cinco ou dez minutos de silêncio, para surpresa dela (e minha), ele perguntou:&lt;br /&gt;- Como tá o teu coração?&lt;br /&gt;Ela não respondeu de imediato. Ficou confusa entre entender a pergunta ou achar uma resposta, pensei. Ele percebeu a situação, que me pareceu um tanto premeditada, e continuou:&lt;br /&gt;- Não precisa responder. Na verdade sempre quis te perguntar isso, e sempre imaginei o que tu responderias. Nessa tua extroversão, tu pareces tão misteriosa, teu coração é tão misterioso... não sei o que me deu agora, mas não faço questão que me diga como está o teu coração. Acho que o que eu queria mesmo era te perguntar isso, só. "Como tá o teu coração"... Pra mim, tu responderias se abrindo totalmente comigo, e contando o que te aflinge e o que te alegra. Mas não sei, não faço mais questão disso. Não que tenha perdido a importância, mas vejo que é melhor deixar subentendido. Além do mais, tu sabes que eu sou calado, gosto do silêncio e tal, mas pra falar a verdade, eu odeio o silêncio. O silêncio assim, a dois. Minha cabeça trava num silêncio com alguém do lado, ainda mais você.&lt;br /&gt;Ela olhava curiosa pra ele, acho que ele nunca se comportou daquele jeito. Não, aquilo não foi premdeitado. E ele definitivamente não estava bêbado. Percebi que tentava falar olhando nos olhos dela, mas falhava a cada cinco palavras. Identifiquei-me um pouco com ele. Ou muito, não sei. Na hora não deu pra pensar muito sobre isso.&lt;br /&gt;Não havia terminado ainda:&lt;br /&gt;- Acho que essa minha pergunta foi só pra quebrar o silêncio. "Como é o teu coração", "como tá o teu coração"... O coração não é algo que se revela desse jeito.&lt;br /&gt;- Engraçado, acho que os papéis se inverteram, olha só. Eu, o calado, tô aqui falando mais que devo; e tu, que sempre fala e fala, só me ouve.&lt;br /&gt;Então ele calou-se e engoliu seco. Pareceu se dar conta de que falara demais mesmo. Afinal, seriam eles namorados? Fiquei tentando agora descobrir a relação entre eles.&lt;br /&gt;A essa altura eu tinha esquecido do refrigerante, o qual já havia esquentado.&lt;br /&gt;Ela limitou-se a apoiar a têmpora na mão e a abrir um sorriso tão lindo quanto ela. Era um sorriso maternal.&lt;br /&gt;Antes que qualquer coisa a mais pudesse acontecer, levantei-me e limpei a poeira da minha calça. Ele me olhou pelo movimento repentino que fiz, mas logo viu que não se tratava de ameaça alguma e voltou a fitar o vazio. Eu, fui ao encontro de amigos para ir embora. O que ele queria dizer já havia dito, e o que me interessava eu já tinha ouvido.&lt;br /&gt;Ali percebi que eu não era o único nesse mundo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421017557762351251-8911620318636955311?l=baixofalante.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baixofalante.blogspot.com/feeds/8911620318636955311/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421017557762351251&amp;postID=8911620318636955311&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421017557762351251/posts/default/8911620318636955311'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421017557762351251/posts/default/8911620318636955311'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baixofalante.blogspot.com/2007/11/o-espelho.html' title='O espelho'/><author><name>Borges Júnior</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07876661105047439149</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421017557762351251.post-8355054847581281508</id><published>2007-11-06T17:48:00.000-08:00</published><updated>2007-11-06T17:51:36.169-08:00</updated><title type='text'>2. Um sussurro</title><content type='html'>Pois assim mesmo eu te mordi, do jeito de comer. É, te arrancar um pedaço e saborear, depois engolir.&lt;br /&gt;(risos)&lt;br /&gt;Mas claro que eu tô brincando, imagina.&lt;br /&gt;(Silêncio muito confortável, e os dois fecham os olhos; ele continua a sentir o morno do pescoço dela, e ela sorri).&lt;br /&gt;Mas te abraçar eu posso, não posso? Oh céus, como eu te amo, que diabos... Ops! Que frase essa, a que eu disse.&lt;br /&gt;Considera só até o "eu te amo", só até o "eu te amo". E não solta não, me dá aqui tua mão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421017557762351251-8355054847581281508?l=baixofalante.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baixofalante.blogspot.com/feeds/8355054847581281508/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421017557762351251&amp;postID=8355054847581281508&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421017557762351251/posts/default/8355054847581281508'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421017557762351251/posts/default/8355054847581281508'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baixofalante.blogspot.com/2007/11/2-um-sussurro.html' title='2. Um sussurro'/><author><name>Borges Júnior</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07876661105047439149</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421017557762351251.post-1596596243888229166</id><published>2007-11-06T17:47:00.000-08:00</published><updated>2007-11-06T17:48:34.952-08:00</updated><title type='text'>1. Um suspiro</title><content type='html'>Um verso mal-cantado. Pelo menos afastam os males, as músicas; ou menos ainda, deveriam. Esse que canta sabe o que diz, e o que escuta já tentou saber ouvir alguma vez.&lt;br /&gt;Não, parece difícil demais saber ouvir.&lt;br /&gt;Sinceramente me pergunto o porquê disso tudo. Uma hora acaba, não é? E depois vem de novo, e outra vez, e sempre é a primeira vez; e por isso não se ouve, nem se aprende.&lt;br /&gt;Cansa, cansa mesmo.&lt;br /&gt;Os que desistiram pareceram pra mim até certo tempo eram esquisitos e distantes. Mas eu entendo-os. Eu não queria entendê-los, mas fatalmente entendo-os. E os nossos desejos também formam o que somos. Apóio-me nessa linha, antes que ela parta.&lt;br /&gt;...Talvez seja melhor continuar com as palavras no vidro embaçado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421017557762351251-1596596243888229166?l=baixofalante.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baixofalante.blogspot.com/feeds/1596596243888229166/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421017557762351251&amp;postID=1596596243888229166&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421017557762351251/posts/default/1596596243888229166'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421017557762351251/posts/default/1596596243888229166'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baixofalante.blogspot.com/2007/11/1-um-suspiro.html' title='1. Um suspiro'/><author><name>Borges Júnior</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07876661105047439149</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421017557762351251.post-6481836686782162292</id><published>2007-11-06T17:44:00.000-08:00</published><updated>2007-11-06T17:46:46.213-08:00</updated><title type='text'>Encomenda para a senhorita Denise</title><content type='html'>É inocência que se mostra em um homem que achar saber sobre as mulheres, ou pior; controlar esse conhecimento. Mas já que ele caiu nessa besteira, é interessante acompanhar o que inevitavelmente vai acontecer, da mesma forma que se acompanha uma novela (que aliás, trata tanto disso).&lt;br /&gt;A categoria do que vai acontecer, naturalmente, depende da categoria da mulher envolvida na história. Não vou me reter citando e comentando cada tipo e categoria; indo direto ao ponto, o tipo mais "produtivo", mais passional (por quê não?), mais instigante, é a mulher - escolhendo bem o adjetivo - retaliadora . Nos mesmos quinhentos, a mulher vingativa.&lt;br /&gt;Só em dizer a "a mulher vingativa" vem à mente uma moça voluptuosa com uma arma na mão, a qual se vê no rosto que não hesitaria em puxar o gatilho. Aliás, ela procura o menor motivo para isso. A diabólica, como eu também gosto de chamar (pois também imagino-a às vezes com cauda de seta e chifrinhos, ateando fogo em tudo o que vê), tira o sono do coitado do nosso amigo, deixa-o à beira da loucura com pequenas armadilhas que se enquadram bem no conceito de "tortura", persegue-o sem precisar sair do lugar ... enfim, um espetáculo que lotaria a casa, e eu pagaria para assistir da primeira fileira. Assistir acontecer com os outros, é claro.&lt;br /&gt;Ainda tem aquelas que arquitetam planos infalíveis de vingança; estas poderiam ser roteiristas de filmes de suspense. A imagem dessas já seria a bela de terno, do alto de seus saltos, e óculos harmoniosamente repousados em seu nariz. Segura ainda uma maleta (quem sabe não é lá que os planos estão guardados?). Causam destruições imensas com duas palavras. As melhores, com apenas uma. Palavras escolhidas cuidadosamente que encaixa como peças de quebra-cabeça na cabeça (quebrada) e no coração do sujeito. Não há quem diga que elas são capazes das mesmas proezas que as diabólicas que incendeiam o circo, já citadas. Essas são sutis, resumindo. Mas realizam espetáculos tão bons quanto.&lt;br /&gt;O homem enrascado nessa teia nunca pôde imaginar que havia tanto mais a se aprender com essas figuras angelicais. Figuras. Se se olhar o lado positivo, existe a esperança de já ter aprendido e não cometer o mesmo erro. Não mesmo.&lt;br /&gt;O final do espetáculo, a novela, ou do filme de suspense se dá quando ela bem entender. A personagem manda na história. Para o bem de quem o assiste, ou o mal do pobre-coitado que se viu vilão do enredo escrito por tão adorável criatura. É, no fim das contas uma criadora/criatura adorável, a qual ele está sempre disposto a cair na trama tecida por ela.(*)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*Final número 1.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421017557762351251-6481836686782162292?l=baixofalante.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baixofalante.blogspot.com/feeds/6481836686782162292/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421017557762351251&amp;postID=6481836686782162292&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421017557762351251/posts/default/6481836686782162292'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421017557762351251/posts/default/6481836686782162292'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baixofalante.blogspot.com/2007/11/encomenda-para-senhorita-denise.html' title='Encomenda para a senhorita Denise'/><author><name>Borges Júnior</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07876661105047439149</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421017557762351251.post-6665721301476757383</id><published>2007-11-06T17:38:00.000-08:00</published><updated>2007-11-06T17:42:58.627-08:00</updated><title type='text'>Crônica do quarto escuro</title><content type='html'>O sono não veio. As cortinas abriram-se, e as contrações de quem quer nascer logo são sentidas.&lt;br /&gt;É à noite, e no silêncio que se desenham os esboços e as artes-finais de idéias, aforismos, esperanças, desilusões, teorias e todo pensamento que bater à porta da mente e parecer uma visita de boa conversa.&lt;br /&gt;À noite é quando se ouve melhor, no escuro é onde se sente mais, e o silêncio torna-se audível.As únicas testemunhas desse momento são as paredes que se perdem na escuridão. Assistem quieta e atentamente as projeções inquietas e desconcentradas do protagonista de uma peça que se encerra logo que o sol do dia seguinte desponta na janela.&lt;br /&gt;Enquanto ele não chega, os pensamentos paridos lançam-se sem cerimônia ao ar; e se ainda não estão aptos a voar, caem e se acumulam ao redor da cama, onde esperam sobreviver até o próximo dia. Lá ainda misturam-se às lagrimas e risos, que porventura escorregam, já que foram impedidas de sair na claridez.&lt;br /&gt;E as paredes continuam lá, acompanhando o capítulo da noite. Reverberando velhos e teimosos devaneios que insistem e retornar à ópera. O protagonista é o mesmo de sempre, mas a peça ainda está longe do seu fim. Às vezes ele mira o infinito, quem sabe tentando escapar do brilho ofuscante dos holofotes e enxergar a platéia que se protege nas trevas. Mal sabe ele que a casa está vazia, apenas um aqui e outro ali assistem à exibição.&lt;br /&gt;Depois do parto da ninhada de pensamentos, o gerador repousa seu merecido descanso; o ator fecha as cortinas do próprio espetáculo, e ambos - mesmo que sejam a mesma pessoa - são surpresos ocasionalmente com um teatro de bonecos.&lt;br /&gt;O que importa agora é apenas assistir aos bonecos e quem sabe acordar no dia seguinte com um sorriso inexplicável no rosto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421017557762351251-6665721301476757383?l=baixofalante.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baixofalante.blogspot.com/feeds/6665721301476757383/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421017557762351251&amp;postID=6665721301476757383&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421017557762351251/posts/default/6665721301476757383'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421017557762351251/posts/default/6665721301476757383'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baixofalante.blogspot.com/2007/11/crnica-do-quarto-escuro.html' title='Crônica do quarto escuro'/><author><name>Borges Júnior</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07876661105047439149</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421017557762351251.post-2445900748449684610</id><published>2007-11-06T17:26:00.000-08:00</published><updated>2007-11-06T17:36:44.546-08:00</updated><title type='text'>Balsas</title><content type='html'>Algumas vezes passamos por experiências que nem sonharíamos que fossem algo de produtivo, ou mesmo algo que traria um adendo à nossa vivência nessa tal Terra. Pois bem, explicando o porquê dessa reflexão, contarei sobre uma viagem que fiz à Balsas há bem pouco tempo. Fui para lá a cargo de proferir palestras, e como prediz a primeira frase desse texto, esperei nada mais do que lecioná-las.&lt;br /&gt;Eis que ao chegar na cidade, vi que a estadia traria algo a mais.&lt;br /&gt;Cheguei às algumas horas da noite de um domingo no que parecia ser uma das principais ruas da cidade, onde havia uma sorveteria e uma pizzaria em cada lado desta. Ah, essa cidade é interessante, sim senhor! As mulheres que povoavam aqueles estabelecimentos traziam um brilho diferente em suas auras, fato que também notado por meus companheiros masculinos.&lt;br /&gt;Incrível como elas movem-se graciosamente, desviando-se com facilidade entre as investidas de seus conterrâneos do sexo oposto, que cá entre nós, acho nem sequer possuem brilhos nas auras; não o digo com certeza, pois quase nem percebi a existência deles. Mulheres de pele macia, e cabelos viçosos; olhos e bocas maravilhosos por si sós, ainda mais deslumbrantes emoldurados por belos rostos. Assiti a tal cena como uma criança em uma loja de doces.&lt;br /&gt;Como sempre existe um "porém", este resolveu dar as caras agora. Infelizmente não pude ter o deleite de poder conhecê-las melhor naquele momento. Nem de ouvir os doces timbres de vozes que pude perceber apenas de longe.&lt;br /&gt;O motivo do porém, de tão banal, não convém à história, bem o sei. Sei ainda que novamente me imaginei a criança na loja de doces, mas uma criança diabética.&lt;br /&gt;Prosseguindo, no dia seguinte - "hora da palestra, afinal". A caminho do auditório, ainda andando pelas ruas da cidade pude confirmar minha primeira impressão. Encantava-me em qualquer esquina com um rosto surgido sabe-se lá de onde. Francamente isso foi um tanto demais para o meu pobre coração que não se adaptou a tão forte sobrecarga. Mas em tudo dá-se um jeito, até mesmo nesse danado. Dizem que ele pode suportar mais do que se pode imaginar. Ali, sem dúvida, seria um bom local para verificá-lo. Maldito futuro do pretérito.&lt;br /&gt;Ah, Balsas, onde até as mulheres feias são bonitas, e até as mulheres que não são feias, nem bonitas, são desejadas. Sei que não estendeste, pude senti-lo. Infelizmente não há outra maneira de colocar a sentença, creio que apenas passando por essa experiência para compreendê-la plenamente.&lt;br /&gt;Gonçalves Dias uma vez disse "não permita Deus que eu morra sem que eu volte para lá". Tenho pra mim que não foram exatamente essas palavras, e muito menos que ele se referia à Balsas, mas pelo que há de perceberes nesse texto, é exatamente o que sinto nesse momento. Se o poeta já não houvesse criado esse verso, acredito que ele brotaria nesse instante através agora das teclas de um computador. E eu voltarei sim, claro, hei de voltar ainda em vida para Balsas. Permita Deus.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421017557762351251-2445900748449684610?l=baixofalante.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baixofalante.blogspot.com/feeds/2445900748449684610/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421017557762351251&amp;postID=2445900748449684610&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421017557762351251/posts/default/2445900748449684610'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421017557762351251/posts/default/2445900748449684610'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baixofalante.blogspot.com/2007/11/balsas.html' title='Balsas'/><author><name>Borges Júnior</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07876661105047439149</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421017557762351251.post-6704047172973413521</id><published>2007-11-06T17:22:00.000-08:00</published><updated>2007-11-06T17:25:05.997-08:00</updated><title type='text'>Para Mercedes, é claro</title><content type='html'>Ela me faz sentir um humano incompleto. Não que qualquer humano seja completo, mas dessa essência humana, que por si só é incompleta, sinto que ainda falta-me chegar à essa não-totalidade. É incrível como assim mesmo, ela me leva a achar que posso tornar-me uma pessoa completa (ainda na condição de incompleto).&lt;br /&gt;Simplificando, seria ela a deusa, e eu o religioso. O religioso que aspira chegar à condição de deus, apenas para poder ficar próximo dela.&lt;br /&gt;Nada mais humano.&lt;br /&gt;Ainda a acho inalcançável. Mas pra quê desistir?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, a deusa coroada, não confudis. A única coisa que trago dela é a lembrança. Como um Florentino Ariza, aguardo e mantenho os pés no caminho, para enfim alcançar a deusa coroada. A deusa coroada, que não é desde sempre deusa, e os pés, que nem sempre se mantêm no caminho. Como disse, só existe, agora, a lembrança. Como um verso mal-entendido que nos impede de prosseguir no livro. Mas pra quê fechar o livro? e pra quê deixar de ler outros? (Acho que todos temos ou tivemos deusas coroadas na vida; alguns trazem para si o paraíso, outros permanecem humanos.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se fôssemos a deusa coroada de alguém? Sempre alguém há de nos vir desse modo, assim como nós, os outros. O religioso tornaria-se deus? * É o desejo, afinal, de qualquer um capaz de amar. Existem humanos fabulosos, que vivem como se não fosse humanos, muito menos deus, ou deusas coroadas. Encantei-me por uma quando procurava ser um deus. Foram belos aqueles dias, como são aliás, os dias em que somos encantados por qualquer ser. Os humanos fabulusos encantam, e eu soube então que não encantam apenas a um só. Mas o encanto, esse não se sabe ainda como o desfazer.&lt;br /&gt;.............&lt;br /&gt;Querer ser melhor. Querer criar, talvez um universo; e que seja todo para ela. Querer proteger, e ser protegido, e me proteger. Sorrir em lembranças presentes. Sentir o peito encharcar a dor escorrida.&lt;br /&gt;E ainda mal se consegue falar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421017557762351251-6704047172973413521?l=baixofalante.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baixofalante.blogspot.com/feeds/6704047172973413521/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421017557762351251&amp;postID=6704047172973413521&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421017557762351251/posts/default/6704047172973413521'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421017557762351251/posts/default/6704047172973413521'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baixofalante.blogspot.com/2007/11/ela-me-faz-sentir-um-humano-incompleto.html' title='Para Mercedes, é claro'/><author><name>Borges Júnior</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07876661105047439149</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421017557762351251.post-6774106708241210315</id><published>2007-11-06T17:19:00.000-08:00</published><updated>2007-11-06T17:21:06.569-08:00</updated><title type='text'>Receita de Chá</title><content type='html'>Pergunte a alguma pessoa que consideres muito, muito mesmo, o que ela acha de ti. Sinceramente.&lt;br /&gt;Feito isso, não julgue que ela esteja equivocada em algum ponto o qual não concordas, nem que esteja absolutamente correta em um ponto certo.&lt;br /&gt;Então depois de algum dias, ou algumas horas, faça um julgamento.&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;Pergunte a alguma pessoa que não te conheça muito, um conhecido apenas, o que ela acha de ti. Sinceramente.&lt;br /&gt;Feito isso, não julgue que ela esteja equivocada em algum ponto o qual não concordas, nem que esteja absolutamente correta em um ponto certo.&lt;br /&gt;Então depois de algum dias, ou algumas horas, faça um julgamento.&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;Pergunte a si mesmo, não qualquer sujeito, o que achas de ti. Sinceramente.&lt;br /&gt;Feito isso, não julgue que estejas equivocado em algum ponto o qual não concordas, nem que esteja absolutamente correto em um ponto certo.&lt;br /&gt;Então depois de algum dias, ou algumas horas, faça um julgamento.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421017557762351251-6774106708241210315?l=baixofalante.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baixofalante.blogspot.com/feeds/6774106708241210315/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421017557762351251&amp;postID=6774106708241210315&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421017557762351251/posts/default/6774106708241210315'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421017557762351251/posts/default/6774106708241210315'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baixofalante.blogspot.com/2007/11/receita-de-ch.html' title='Receita de Chá'/><author><name>Borges Júnior</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07876661105047439149</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421017557762351251.post-5871558194437278328</id><published>2007-10-26T18:29:00.000-07:00</published><updated>2007-11-14T22:16:49.783-08:00</updated><title type='text'>As pessoas incríveis que chamam "Família, família!" (ou Ode to my family)</title><content type='html'>Família, meus caros, família. Difícil é a vida de quem não tem uma. Eu, apesar de não demonstrar direito, me impressiono e me fascino freqüentemente com a minha.&lt;br /&gt;Não a família toda, primos, avôs, tios e todos os galhos árvore genealógica, falo da família que convive comigo. E não que os outros ramos da árvore não tenham valor, mas é do convívio diário que se percebe a importância daquilo que temos. Creio que todo mundo acha a sua simplesmente a melhor e com algo especial. É um pensamento besta, mas eu penso assim também. Minha família tem algo à parte.&lt;br /&gt;Meus pais: pense em dois sujeitos que eu não consigo traduzir o quanto admiro eles. O pai, de quem peguei o nome emprestado, tem uma história de vida que merece sem dúvidas um registro biográfico. Só para constar aos desconhecidos, meu pai nasceu em Jaguarana, interior de Caxias, um dos onze (eu acho) filhos de um lavrador e uma quebradeira de coco. Hoje é diretor de redação de um jornal da capital que ele talvez nem pensasse em conhecer. Que upgrade, hein, Seu Borges?&lt;br /&gt;Papai tange a vida de maneira invejável; tange-a tão bem, que chega a parecer que a vida o leva consigo, e não vice-versa. Como um vaqueiro que tange o gado sem precisar de bastão, chicote, nem cachorro, nem nada: o gado simplesmente sabe seu curso. Tem um dom especial nas suas relações com as pessoas, e ama cada filho de forma especial. Assim é meu pai.&lt;br /&gt;A mãe, quem eu chamo de "sióra" ou dona Elda, vejo-a como a Úrsula de Cem Anos de Solidão. Põe a ordem na casa, e simplesmente estaríamos todos perdidos sem ela. É a mãe, oras. Ela quem marca as consulta dos filhos, quem impõe os limites, quem diz que estamos gordos ou magros, quem se preocupa, e quem tem o famoso sentido sobrenatural dado às mulheres assim que dão à luz o filho. E é pra ela quem eu peço conselhos quando a vida me aperreia o juízo. E a pouca altura que Deus lhe deu, creio ter sido para que os filhos a vissem como uma amiga, uma pessoa próxima - a menos que suba no salto. Ou que o exiba ameaçadoramente na mão se fizemos algo errado.&lt;br /&gt;Bruno, se não fosse meu irmão, juro que não ia conhecer ele nunca na minha vida. Talvez, no máximo de vista. E possivelmente, eu não iria concordar com nada da personalidade dele. Sabe o bon vivant? Aproveita a o aqui e o agora ao máximo, mas não liga muito pro futuro nem pro passado? Assim é o sujeito que me influencia massivamente. Admiração de irmão mais novo. Analisando num acesso psicológico, o Sensing da personalidade dele (ISTP) complementa meu Intuitive (INTP). Ou seja, o pé no chão dele completa minha cabeça nas nuvens. E embora possua o eixo "ST" e não "SJ", o torna um guardião tal qual minha mãe, e protege todos seus queridos como um pai protege o filho.&lt;br /&gt;E minha irmã. A irmã mais nova. Eu poderia continuar a explicação na psicologia analítica e analisar nossa relação, mas colocando em pratos de plástico, ela é sentimento e eu, razão. Por isso às vezes enchemos o saco um do outro. E eu faço questão de atentar a paciência dela sempre que posso. Talvez seja minha forma de dizer "estou aqui pro que der e vier". O sentimento de Juliana me faz tentar entendê-la em cada ação, fato que não consigo e me deixa sempre curioso. Como um quadro em que todos os dias se descobre um novo e belo detalhe. E isso me faz admirá-la tanto, e talvez ela nem imagine isso.&lt;br /&gt;Agora fui prestar bem atenção ao título: Pessoas Incríveis. Lembrei da família da animação "Os Incríveis", conhece? Pois é, mais ou menos por aí: superpais, superfilhos. Se bem que lá só tinha dois filhos. O terceiro é o que assistiu tudo pra contar no blog.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421017557762351251-5871558194437278328?l=baixofalante.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baixofalante.blogspot.com/feeds/5871558194437278328/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421017557762351251&amp;postID=5871558194437278328&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421017557762351251/posts/default/5871558194437278328'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421017557762351251/posts/default/5871558194437278328'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baixofalante.blogspot.com/2007/10/pessoas-incrveis-com-mesma-assinatura.html' title='As pessoas incríveis que chamam &quot;Família, família!&quot; (ou Ode to my family)'/><author><name>Borges Júnior</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07876661105047439149</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421017557762351251.post-6138632216562956998</id><published>2007-10-20T19:55:00.000-07:00</published><updated>2007-10-20T20:32:04.184-07:00</updated><title type='text'>As histórias de Dagoberto - Parte 1</title><content type='html'>Enquanto eu tava tomando uma cerveja sentado na mesa da calçada do bar, o Dagoberto me volta do banheiro com a idéia mais maluca:&lt;br /&gt;- Ricardo, olha só o que eu tava pensando: vai que eu esteja no banheiro, tranquilo, e tal, e me chega uma nifomaníaca linda e me "força" a deixá-la fazer sexo oral em mim. Entendeu? Ela tipo me rende e começa o serviço... Eu fico pensando, pô, em algum lugar do mundo isso deve acontecer; já deve ter acontecido! Quem sabe esteja acontecendo nesse momento!&lt;br /&gt;- Mas que sacana de sorte, que diabos! Por que as probabilidades mais ínfimas não acontecem com a gente? Tem que ser com outra pessoa! Que droga, fiquei com inveja desse cara agora...&lt;br /&gt;Eu, surpreso, mas nem tanto, com a história - afinal, era o Dagoberto, e dele se pode esperar esse tipo de conversa -,  tentei analisar a situação proposta, mas tive que comentar antes:&lt;br /&gt;- Dagoberto, meu filho, o que diabos tu tá falando? Presta bem atenção, te coloca como ouvinte do que tu acabou de falar: Tu me chega aqui com essa história doida, e ainda fica indignado com uma situação que tu mesmo criou, e nem na tua imaginação tu te deu bem!&lt;br /&gt;- O negócio tá brabo! Isso é falta de mulher, rapaz? - Até onde eu sabia, o Dagoberto tinha um bom relacionamento com a namorada, falei pra curtir mesmo - Haha, tá bom. O que tu quer que eu fale sobre essa tua história?&lt;br /&gt;Ele caiu em si e tomou um gole da cerveja e se calou, depois de ter solto um "sei lá".&lt;br /&gt;Dagoberto é um bom sujeito, gosto dele. De vez em quando tem esses "insights" meio fora de contexto, mas que pra ele faz o mais perfeito sentido. Eu acho até interessante isso, de viver nas idéias.&lt;br /&gt;- Mas tem alguma mentira no que eu falei? É perfeitamente possível o que eu falei, não é? - Emendou ele.&lt;br /&gt;Era possível mesmo, tive de concordar.&lt;br /&gt;Quem sabe a loira que acabou de passar dirigindo um sedã fosse a tal nifomaníaca. Pelo menos linda ela era. Mas não falei nada pro Dagoberto, tenho certeza que ele ia demorar pra sacar a ironia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421017557762351251-6138632216562956998?l=baixofalante.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baixofalante.blogspot.com/feeds/6138632216562956998/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421017557762351251&amp;postID=6138632216562956998&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421017557762351251/posts/default/6138632216562956998'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421017557762351251/posts/default/6138632216562956998'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baixofalante.blogspot.com/2007/10/as-histrias-de-dagoberto-parte-1.html' title='As histórias de Dagoberto - Parte 1'/><author><name>Borges Júnior</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07876661105047439149</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421017557762351251.post-6270339521546693432</id><published>2007-10-20T19:50:00.000-07:00</published><updated>2007-10-20T19:51:36.543-07:00</updated><title type='text'>Meus queridos natimortos</title><content type='html'>Meus queridos natimortos,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pena vocês não cruzarem vida de ninguém; só hão de existir na minha lembrança agora. Queridos, a espera é igual para todos nós. Vida e morte. Só resta-lhes agora esperar a imortalidade dos seus irmãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saudades, Júnior.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421017557762351251-6270339521546693432?l=baixofalante.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baixofalante.blogspot.com/feeds/6270339521546693432/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421017557762351251&amp;postID=6270339521546693432&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421017557762351251/posts/default/6270339521546693432'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421017557762351251/posts/default/6270339521546693432'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baixofalante.blogspot.com/2007/10/meus-queridos-natimortos.html' title='Meus queridos natimortos'/><author><name>Borges Júnior</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07876661105047439149</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421017557762351251.post-825791493793559322</id><published>2007-10-07T19:05:00.000-07:00</published><updated>2007-10-07T19:06:58.483-07:00</updated><title type='text'>Letras minúsculas</title><content type='html'>Eu não sei escrever cartas de amor. Eu não sei nem demonstrar amor. Relações são sempre complicadas. A nossa começou nem lembro como, não é da infância. Mas o que parece é que somos desde crianças ligados, como dois pequenos que sempre jogam no mesmo time de rouba-bandeira. Como na música da Alanis, "Joining You".&lt;br /&gt;E infantil mesmo é a nossa relação, parecemos duas crianças que disfarçam a todo custo os sentimentos, porque... sei nem porque. É como o guri que vive atentando a paciência da menina, só pra chamar a atenção dela, e quem sabe, por algum milagre, ela perceba nas brincadeiras sem-graça o significado real delas.&lt;br /&gt;Nós nos comportamos assim, e não somos crianças. É só te ver citando versos de músicas em inglês carregados de romantismo, a ponto de serem bregas. Mas o inglês tira o impacto inicial da mensagem, e quem sabe, a intenção de quem a repete. É só uma música, afinal.&lt;br /&gt;Por quê esconder? Eu não entendo isso. Não mesmo.&lt;br /&gt;E mesmo sem entender, confesso que faço isso também. Às vezes me calo esperando que tu fale comigo; às vezes rasgo elogios para outras mulheres que nem me impressionaram tanto, só para ver tua reação - algum ciuminho reconfortante e outras bobagens do gênero. Mas se eu me calo, tu te calas; e se falo de outras, tu permanece indiferente. É um jogo que conhecemos bem a regra, e que, em uma dessas citações bregas, "para ganhá-lo, é preciso perder".&lt;br /&gt;Seja verdade também que eu odiaria te ver com alguém, e eu sei o quanto te incomodou saber que conheci alguém realmente interessante e nunca te falei sobre. Pois isso signifaria termos de seguir nossas vidas, mas um para cada lado, e não é isso o que queremos. Seguir, senão a vida, mas alguns bons dias, será bem melhor estando nós dois no mesmo time de rouba-bandeira.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421017557762351251-825791493793559322?l=baixofalante.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baixofalante.blogspot.com/feeds/825791493793559322/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421017557762351251&amp;postID=825791493793559322&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421017557762351251/posts/default/825791493793559322'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421017557762351251/posts/default/825791493793559322'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baixofalante.blogspot.com/2007/10/letras-minsculas_07.html' title='Letras minúsculas'/><author><name>Borges Júnior</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07876661105047439149</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421017557762351251.post-4383536652572666850</id><published>2007-09-15T22:39:00.000-07:00</published><updated>2007-10-07T19:11:32.663-07:00</updated><title type='text'>Cinco da tarde</title><content type='html'>1. Ele embarcou no ônibus e se pôs a ler sua revista, daquelas revistas de heróis americanos. E já não era mais nenhum adolescente, mas um homem barbado - barbado mesmo, sem força de expessão. Um homem jovem, beirando os 30. Usava óculos de lentes grossas e armação quadrada e fina. Não era desses óculos de armação grossa plástica que alguns usam para aumentar a inteligência; ele usava os óculos por necessidade mesmo. E usava-os agora para ler sua revista, alheio do mundo. Capitão América, talvez.&lt;br /&gt;Tinha a introversão estampada no rosto. Na minha cabeça, deduzi que fosse estudante ou recém-formado de algum curso das Ciências Exatas. Algo relacionado a informática, se me permite o palpite. Pois, estava ele sentado próximo à janela, enquanto os outros passageiros buscavam os últimos assentos livres.&lt;br /&gt;Então sobe uma moça, mais ou menos da mesma idade - quem sabe uns meses mais nova. Escondia os olhos atrás dos óculos escuros. Era esbelta, com cabelos alisados; tinha a aparência padrão das moças de classe média. Não era bonita, mas vaidosa, enganava os desavisados. Parecia uma jovem viúva, embora usasse blusa vermelha com calças jeans escuras. Muito séria, ela. E já que falamos de um suposto curso para o rapaz, falemos para a moça também. Odontologia lhe cairia bem.&lt;br /&gt;Não percebi se havia algum outro assento livre no ônibus, mas aconteceu que o que estava ao lado do nosso míope estava livre, e então, o que já se poderia deduzir ocorreu: a jovem não-viúva sentou-se ao lado do adolescente-adulto. Ora, fato mais trivial em um ônibus é o de pessoas desconhecidas sentarem próximas umas às outras, e não importa a duração, elas sempre seguem o rumo de suas vidas no fim da viagem. E de fato, o par ali formado era apenas mais um entre tantos outros. Ele lia os quadrinhos e não se importava com mais nada; ao passo que ela imergia nas preocupações, enquanto descansava os olhos na paisagem da janela.&lt;br /&gt;Mas eram cinco da tarde, e nesse horário é possível olhar para o sol sem machucar os olhos. Os dois intuitivamente olharam, então, para o sol que pintava o céu no fim da tarde. Ele então percebeu a presença da moça, e virou-se para ela.&lt;br /&gt;Às cinco da tarde também é possível ver os olhos escondidos atrás de lentes escuras, e ele olhou os dela. Ela de início rejeitou tal atitude, e o ignorou. Mas ele que insistisse, ela acabou por ceder à curiosidade que mora em nós sempre que somos alvos de algum par de olhos, e um sorriso curto apareceu-lhe nos lábios antes que ela pudesse evitar.&lt;br /&gt;Odontologia? Acho que não errei. Conversas e risos encabulados, e claro, alguns minutos de silêncio que os faziam desesperadamente procurar um novo assunto para retomar a conversa e a companhia naquele ônibus.&lt;br /&gt;A parada em que ele desce já estava há muito para trás. Nas mãos do moço, a revista fechada e dobrada em cilindro. Eles são bons em achar assuntos. Ele chegava a gesticular em alguns momentos. Enfim, decidiu descer duas paradas depois da dela. Pra despitar talvez - que bobagem. Depois que ela havia descido ele ainda conservou um sorriso teimoso.&lt;br /&gt;Eu desci onde deveria e segui meu caminho.&lt;br /&gt;Semanas depois, ainda o vejo algumas vezes no ônibus, ela um pouco menos, mas ainda a vejo. Nunca mais juntos. Sem a barba, sem os óculos escuros.&lt;br /&gt;Sentem falta das cinco horas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421017557762351251-4383536652572666850?l=baixofalante.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baixofalante.blogspot.com/feeds/4383536652572666850/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421017557762351251&amp;postID=4383536652572666850&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421017557762351251/posts/default/4383536652572666850'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421017557762351251/posts/default/4383536652572666850'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baixofalante.blogspot.com/2007/09/s-cinco-da-tarde.html' title='Cinco da tarde'/><author><name>Borges Júnior</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07876661105047439149</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421017557762351251.post-667395371382451272</id><published>2007-08-18T16:16:00.000-07:00</published><updated>2007-08-24T19:55:28.840-07:00</updated><title type='text'>As tardes e os navios</title><content type='html'>O vento me incomodava, é verdade. Mas eu não cansava de ir todo fim-de-tarde observar aqueles dois admirarem os navios no horizonte. Era meio mágico, sabe? Não gosto muito da palavra "mágico", mas é o que aquilo parecia de fato. A praia, o sol poente, os navios inalcaçáveis, e os dois acompanhados apenas de suas longas sombras desenhadas na areia.&lt;br /&gt;Não me coloque nessa conta. Eu era, digamos, o pintor desse quadro. Além do mais, o vento me incomodava um tanto. Não a ponto de me expulsar dali, mas incomodava. E o incômodo não era algo presente naquele momento. Nem pro sol, nem pros navios, muito menos praqueles dois. Ora, então eu fingia que não me incomodava também.&lt;br /&gt;Engraçado era que sempre havia navios pra serem observados, e vez ou outra um dos dois apontava pra algum detalhe que eu ficava tentando achar. Outra coisa intrigante era que eles sempre chegavam antes de mim. Eu também não fazia questão de chegar antes. Mas que me intrigava, intrigava.&lt;br /&gt;O melhor era quando eles levantavam de repente pra correr um atrás do outro, chutando a água. Ou então riscavam a praia inteira com aqueles vegetais com forma de pincel que a maré traz. Uma vez riscaram tanto, que o mar se atrasou na tarefa de apagar tudo durante a noite, o que surpreendeu os dois e eu no dia seguinte. Eu gostava mais dos dias assim.&lt;br /&gt;Anos e anos nisso. Depois de alguns, apenas uma pessoa continuou a compor o quadro, e essa já não apontava mais, nem escrevia, nem corria. Às vezes passava minutos esquecida de que estava ali. Pra mim ainda era um quadro, e ainda tinha sua beleza, mesmo já sem aquelas duas pessoas e suas sombras. Uma sombra só não dava conta de cobrir a área que as duas cobriam.&lt;br /&gt;Daí a sombra solitária daquela pessoa pareceu perder a cor; e os navios já eram mais tão freqüentes. Apenas o vento era o mesmo. Insisti mais uns meses naquela cena, mesmo com o vento.&lt;br /&gt;E no primeiro dia em sete anos que não houve ninguém, senão eu, na praia, o sol julgou melhor esconder-se nas nuvens e tentar de novo no outro dia. E os navios finalmente chegaram em seus destinos. As sombras, creio terem embarcado nos navios.&lt;br /&gt;Pois, isso era basicamente o que eu fazia nas tardes do meu octagésimo primeiro ano de vida. É, o vento me incomodava.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421017557762351251-667395371382451272?l=baixofalante.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baixofalante.blogspot.com/feeds/667395371382451272/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421017557762351251&amp;postID=667395371382451272&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421017557762351251/posts/default/667395371382451272'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421017557762351251/posts/default/667395371382451272'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baixofalante.blogspot.com/2007/08/as-tardes-e-os-navios.html' title='As tardes e os navios'/><author><name>Borges Júnior</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07876661105047439149</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-421017557762351251.post-3922141982610834848</id><published>2007-08-17T11:01:00.000-07:00</published><updated>2007-08-17T11:49:38.696-07:00</updated><title type='text'>Baixo-falante</title><content type='html'>O baixo-falante fala por si só, poderia ser um autofalante. Mas não é essa a sua principal característica. O baixo-falante fala por si só, entretanto fala baixo. Quem reparar direito verá que ele sempre emite suas mensagens. Em meio a tanto barulho, as ondas emitidas pelo baixo-falante são perdidas. Ou refletidas.&lt;br /&gt;Ora, sente-se perto do baixo-falante e ouvirás o que ele diz. As consonâncias e dissonâncias. E de tão baixo que fala, tenha certeza de que ouviu todas as notas. Isso, meu amigo, pode mudar totalmente o teu entendimento.&lt;br /&gt;Talvez seja melhor ter um alto-falante? Suas ondas são ouvidas por todos, e menor atenção é requerida. São ouvidas, mesmo quando não são desejadas. Mesmo quando sentimos dor-de-cabeça.&lt;br /&gt;Com suas polegadas, o baixo-falante talvez emita ondas além da audição humana. Ou aquém. Ele não se importa, é apenas um objeto destinado a emitir suas mensagens. Mensagem que talvez apenas uns alto-ouvintes possam ouvir.&lt;br /&gt;O baixo-falante, não esqueça, será sempre falante, e falará sempre por si só.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/421017557762351251-3922141982610834848?l=baixofalante.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baixofalante.blogspot.com/feeds/3922141982610834848/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=421017557762351251&amp;postID=3922141982610834848&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421017557762351251/posts/default/3922141982610834848'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/421017557762351251/posts/default/3922141982610834848'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baixofalante.blogspot.com/2007/08/o-baixo-falante-fala-por-si-s-poderia.html' title='Baixo-falante'/><author><name>Borges Júnior</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07876661105047439149</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry></feed>
