Eu não sei escrever cartas de amor. Eu não sei nem demonstrar amor. Relações são sempre complicadas. A nossa começou nem lembro como, não é da infância. Mas o que parece é que somos desde crianças ligados, como dois pequenos que sempre jogam no mesmo time de rouba-bandeira. Como na música da Alanis, "Joining You".
E infantil mesmo é a nossa relação, parecemos duas crianças que disfarçam a todo custo os sentimentos, porque... sei nem porque. É como o guri que vive atentando a paciência da menina, só pra chamar a atenção dela, e quem sabe, por algum milagre, ela perceba nas brincadeiras sem-graça o significado real delas.
Nós nos comportamos assim, e não somos crianças. É só te ver citando versos de músicas em inglês carregados de romantismo, a ponto de serem bregas. Mas o inglês tira o impacto inicial da mensagem, e quem sabe, a intenção de quem a repete. É só uma música, afinal.
Por quê esconder? Eu não entendo isso. Não mesmo.
E mesmo sem entender, confesso que faço isso também. Às vezes me calo esperando que tu fale comigo; às vezes rasgo elogios para outras mulheres que nem me impressionaram tanto, só para ver tua reação - algum ciuminho reconfortante e outras bobagens do gênero. Mas se eu me calo, tu te calas; e se falo de outras, tu permanece indiferente. É um jogo que conhecemos bem a regra, e que, em uma dessas citações bregas, "para ganhá-lo, é preciso perder".
Seja verdade também que eu odiaria te ver com alguém, e eu sei o quanto te incomodou saber que conheci alguém realmente interessante e nunca te falei sobre. Pois isso signifaria termos de seguir nossas vidas, mas um para cada lado, e não é isso o que queremos. Seguir, senão a vida, mas alguns bons dias, será bem melhor estando nós dois no mesmo time de rouba-bandeira.
domingo, 7 de outubro de 2007
Letras minúsculas
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2 comentários:
aaaah !
ia fazer um post parecido com esse.
quer dizer, nem sei se ia.
mas esse assunto martelava toda hora em minha mente.
:*
E pensar que o amor é, parafraseando aquela máxima sobre a liberdade, algo que ninguém sabe definir, mas não há quem não entenda.
Tenho um pensamento recorrente - e possivelmente inoportuno em muitos casos - que me leva a confundir os escritos de um escritor com o próprio escritor - daquela velha forma que Nietzsche advertia a não fazermos. O que me leva a pensar, sem querer, que talvez tenha sido o autor do texto quem viveu sentimentos bem parecidos com o do eu-lírico.
Mas, tudo bem, deixe pra lá minha psicologia de bar. Nenhuma análise feita por mim vai alterar de maneira muito brusca a qualidade do texto.
Um abraço.
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